segunda-feira, dezembro 31, 2007

ANO NOVO III

Ano Novo III

Aos amigos blogueiros

Meia noite. Os desejos aflorados, etc e tal...
Três, dois, um. Uff! Ano novo e eu a bordo.
Demais! As estrelas, o mar e a lua de Jauá.
O que foi lá se foi... Passou... Nada recordo.

O céu concha azul de uma valva que a noite beija
Dá brilho de todos os tons nos fogos em chamas
Sobre a beira-mar de Jauá quando a lua sombreia
O ano velho se apagando ouriçado de escamas...

A tudo esqueço: Cismas, ilusões e prantos vãos.
Coloco nas águas o meu presente para Iemanjá.
No som dos atabaques, o dono da minha cabeça,
Ogum de Ronda, saúda o novo ano em Iorubá!

Atotô! No azul pipocam os fogos de artifícios .
É... O que passou... Já foi. O que teve de ser...
A flor do reveillon desfolhou. Era meu vício...
Ah, como o mundo é fútil no aroma do sachê!

No céu de Jauá um imenso lírio épico de verão.
Eu tomo todas... O meu mundo, agora, é fictício.
Bebo sim! Na moça das flores compro corações
No delirium tremens dos meus goles de absinto...

De porre, os meus olhos de navegação correm mundo.
Mas o que e a quem lembrar? O que teve de dar, já deu...
O meu orixá joga os búzios. O ano novo é pano de fundo.
É que, com a aurora no poço, o ano velho se escafedeu...

E sob minhas vestes brancas, na vertigem dos desejos,
O meu coração finca os pés no chão da melodia ijexá.
A lua rastafari dança e veste-se dos meus loucos beijos
Fingindo os orgasmos na luz dos espelhos do ano novo!

O Sibarita

sábado, dezembro 29, 2007

ANO NOVO II

Ano Novo II

Ai meu Deus! Com o ano novo saindo do coldre
Já refletindo nos espelhos retrovisores da lua cheia.
Os atabaques tocam na limpeza do espiritual da coisa
E eu salto de pára-quedas do ano velho cheio de teias..

Atô tô! Na minha roupa branca o perfume de alfazemas,
Para minha proteção o guia Ogum de Ronda e meu patuá.
Com o ano velho no poço, mil pedidos, nas minhas oferendas
Nesse céu imenso de lírio azul flamejando na praia de Jauá!

Ah... Eu tô que tô! Pés nas nuvens, as horas do dia, eu as bebo:
Cravinho com as estrelas e com as luas, agora, os sois afogados
Na brisa do ano novo brilham nos mares dos meus desejos...

Do velho ano eu limpo o pó dos pensamentos encadeados.
Do ano novo que chega abro as velas e navego na claridade
Cortando o gás dos antigos ventos medonhos e semeados...

O Sibarita

quarta-feira, dezembro 26, 2007

ANO NOVO I

Ano Novo I

Atô, tô
Meu Pai,
Babaluaê!

Minha Iaiá, agora, é só alegria. Da flor do teu silêncio
Coloquei o meu bloco na rua é ano novo na Bahia!
Peço-te, então, uma das tuas máscaras emprestada
Para compor o meu manto de Sibarita à tua revelia...

Ôie! Acorda cidade, clamai aos deuses libidinosos.
É o ano novo! O sol todo nu se abre obscenamente
E penetra no hímen da praia de Jauá. À noite, a lua
Enciumada me toma aos beijos despudoradamente.

Ai! Mostro a cara, caio na gandaia e no dever do oficio
Meu humano coração é de todas as meninas. Em cena
Fundo tudo num só afago e nos desejos do meu vício
Estou leve, livre e solto entregue às moças obscenas...

Mas, amor, leia as noticias, veja as fotos pelo jornal
Sob o esplendor da lua as minhas estripulias, não ria!
Sou o Sibarita do amor dúbio. Neste tempo de bacanal
As donas moças são alegrias no teu silêncio da agonia...

Oh, sim! Meia noite. Bebo todas, a lua, debochada e fina
Faz-me o fogo dos pensamentos, atiro-me nas chamas.
Ébrio, rio, deliro, beijo tua boca nos lábios das meninas
De carnes atiçadas em cada barraca na seiva da tua cama.

É que no afrodisíaco da libido a noite em desejo é bendita
Nos orgasmos venais dessas moças cheias de má intenção.
Solidário ao teu silêncio (Ai meu Deus!) sou o teu Sibarita
Enviando-te as noticias nas entrelinhas dessa profanação.

Queria tê-la ao meu lado de roupa branca toda molhada.
Não finjo esse desejo e no ensejo deste meu dia de folia
Em que meus gozos orvalham nos meandros o ano novo
Da urgia, peço-te então, data vênia pelo carnal da alforria!

O Sibarita

segunda-feira, dezembro 24, 2007

FELIZ NATAL NAS PONTES

Natal nas pontes

Pássaros de jade sobrevoam a cidade de Belém
Reis Magos anunciam o nascimento dos azuis.
Nos alagados, Menino Jesus, corre pelas pontes
Em verdade, transmudado em pétalas de luz

E, dentro da noite esplende uma luz peregrina,
Nas pontes os olhares de perpétua esperança
Moldura o cenário do céu que jamais termina
Na luz onde os desejos natalinos desalcançam...

Na mesa de Natal o tom mágico dos fifós acesos
Verberam no fogareiro em brasa da ceia natalina.
Gatos escalpelados... Churrasquinhos disputados
Sob lua cinza no finismundo dessa parcela divina.

No balança mais não caí estrelas hidráulicas
Piscam sobre caibros sustentando as pontes
Que balançam ao Deus dará da noite natalina
Em pleno frenesi das asas de todos os ventos...

Pela manhã, o sol chega e se joga das pontes
Submergindo nas poças da maré lentamente...
Valei Menino Jesus! Comida para peixe baiacu,
E nenhum presente para crianças inocentes!

Ó, crianças, correm pelos pontilhões carcomidos
Catando raios de sol e lua para clarear dia e noite
Que te virão em sudários nas dores que deságuam
Todos os desejos do natal batendo como açoites...

O Sibarita

Caros leitores, desejo à todos um FELIZ NATAL cheio de paz, harmonia, compreenção, bondade e perdão. Tomara Deus que a visão dos homens que dominam o mundo possa clarear diminuindo o sofrimento de todos os povos que vivem em condições de miséria e abandono total.

sábado, dezembro 22, 2007

A LUA DE JAUÁ

A Lua de Jauá

É sempre assim...
Na caída do dia
quando o pôr-do-sol
apaga os rastros da tarde
na preamar de Jauá.
O tempo
degela a noite
no celeste infindo
e repleta de luz
flameja a lua
tão clara
tão leve
tão nua
que a redondez sensual
flui toda volúpia do cio,
aflorando, libidos e fantasias
na grade da noite.

É sempre assim...
a lua solta, lasciva e o céu
sacudindo em brilho.

Em êxtase
fervilho!

O Sibarita

segunda-feira, dezembro 17, 2007

RUMORES

Rumores

Que pena! Se dos meus olhos
Envio-te mensagens decifradas.
É que fico na palidez do teu olhar
Largo de rumores e luas afogadas,
À noite a incendiar-te e, entre mim,
Labirintos, gris-notícias cifradas...

Já não sei mais... Absorvo o enigma,
Solerte adubação do olhar ocorrente,
Refletindo o espelho denso/propenso,
Talvez... mendigo, desejos recorrentes
Dos teus olhos tenso-pretensos,
Cauterizando todo sentimento...

Relembras comigo... Amar-te?
Que outros se impregnam da tua seiva corrente,
Enquanto, reservas a mim o aroma distante?
Que outras bocas te dirão? Ah, o quanto sonhaste!
Ocupa-me dizer-te das primaveras mal-abrigadas,
Flores temerosas, fugitivas, dissimuladas...

Mas, o coração flutua na leitura do olhar
Que ama em quem crê todo brilho,
Por quem se despe e por quem padece
De ânsias, de desejos, de suspiros...

E quando a noite bater na minha porta
Incendiada no lume das tuas íris,
A lua nova beijará a tua janela
Embriagada dos meus perfumes!

O Sibarita

quinta-feira, dezembro 13, 2007

ALAGADOS(Palafitas)

Alagados (Palafitas)
Caro leitor, recebi alguns emails solicitando nova postagem desta poesia. Como o Natal está chegando achei por bem fazer agora.
Eu, que nasci e me criei lá dedico aos amigos de infância das pontes Santo Antonio, Copacabana e Almirante Tamandaré, Bairro Vila Rui Barbosa, Salvador/Bahia.
Em memória: Gilson Caruru, Carlinhos Negão, Gilcéia, Vando, Mário Nagô, Valtemir, Luiza, Toínho Magriça...
Os versos,
são memórias e sonhos
da maré como lembrança
nos desejos da infância
vivida nas palafitas...

De pés descalços
correndo sobre as pontes
catando raios de sol
nas asas de um beija-flor!
Meu coração tinha enredos:
Melancolia e fantasias
palpitavam como folias
e desfilavam sem alegorias....

À noite
os momentos eram
infinitos, um fifó aceso
espantando a escuridão,
gatos lânguidos esfomeados,
ratos correndo dos algozes
e tamancos rachados
fugindo da leptospirose...

O tempo a noite
sempre se estendia.
Eu tentava empurrá-lo
com as mãos, pura agonia!
Ele teimava desfilar, entre
os meus dedos lentamente...
Segundos, minutos, horas e dias.
Parava o tempo!

Uma Ave Maria e um Pai Nosso
para amenizar o sofrimento...

Pela fresta,
via-se as últimas gotas
de estrelas trêmulas
circulando sobre
tábuas podres sobrepostas
e esqueletos de caibros
sob a lua que ludibriava
os telhados...

O dia
florescia pela enchente
atiçada pela maré de março.
Em cada barraco, olhos velados
retiravam o que tinha e o que não tinha...
Sufoco! O povo dos alagados
recorria a todos os santos,
sob a luz de um sol minguado...

Correi marezeiros!

Há nas pontes,
dependurados e sombreados:
desejos da vida, sangue em lágrimas,
trapos velhos e penicos furados
rasgando o ventre dos sonhos,
agora, macerados!

Bocas de caranguejos
asas de morcegos
e nenhuma flor como desejo...

A maré cheia
convidava ao mergulho.
Crianças davam caídas,
era o prazer do corpo na água,
o debater de braços e pernas, nadar!
Ingenuidade da flor idade...
Na borda do prazer,
a cilada montava o cenário
entre lixos, galhos e estacas.
O perigo é fatal... Tarde demais!
No azul, um sol de tempestades.
A morte é crua, a felicidade é fugaz...
Na adversidade mais um que se vai!
Erguia-se um silêncio,
há uma alma de desespero,
em fuga, pede a extrema-unção!
A tarde uivava, a dor se curvava,
nenhum padre, nenhuma benção,
mas, à noite te virá em orações!
Naqueles momentos,
a maré cumpria a sua sina,
vestia-se de cinza
e nos desesperos das lágrimas,
uma chuva fina...

Mas, não sei, era paradoxal!
Pratos vazios, tripas em revoluções,
urubus, cachorros e ganhamuns
lutavam por comidas no beira mangue.
Siris magros e mariscos aferventados,
crianças amareladas exangues.
O prato se repartia, mercúrio disputados,
lombrigas faziam greve de fome...
Um novo dia pintava, era a dona esperança!
Ela enganava à todos, saia de fininho e
se jogava das pontes, comida para pratos vazios.
Ai Deus! A fome rugia nos alagados, nua!
Enquanto, a morte, despudoradamente deitada
nos telhados filmava a cena de binóculo
na aba de pratos sonhados...

Sob um céu de jade,
natal chegava com luas estreladas!
Nos olhares quanta alegria
escondendo a dor, a melancolia...
Os barracos eram enfeitados,
no piso de tábuas carcomidas
a areia branca dava um toque mágico,
nos alagados enfim, tinha vida!
Nos jarros barro,
galhos de pitanga e espada de Ogum.
Folhas de arruda presas nas portas,
sal grosso nos telhados e alfazema
para espantar os maus olhados,
gatos pretos ludibriados...
A noite é o olhar e virá em clarões!
Nas janelas: nenhum chinelo, nenhum tamanco...
Papai Noel nunca vem, ele disfarça
e nem ao menos uma bola, uma boneca...
Crianças da maré sonham descalças!

No fundo de nós,
uns olhos de tormentos
torturados por natais iguais,
a procura de manhãs desiguais!

Valei-nos, Jesus menino!
Lembrai dos vossos pequeninos,
em vossas mãos os nossos destinos!

O Sibarita

segunda-feira, dezembro 10, 2007

GUEIXA

Gueixa

Ah, esse teu lado sensual,
esses olhos de mel, loucos
de amor, tão felinos...
Mágicos! Em tuas órbitas
dançam malícia e sedução.
Lábios de amoras!
O fogo que se acende não se apaga
mata-me em desejos agora.
Quedo-me na tua boca
tão doce e fatal... Serpente!
Quero o lambuzar dos teus batons
não importam os tons e morrer sufocado
entre os gozos e os orgasmos...
Ah teus seios de amêndoas
sensualmente demoníacos,
sorvo-os e me entrego aos sortilégios
dos teus prazeres aflorados!
Sufocação de desejos
em seios enfeitiçados...

Gueixa!
Ah, esse teu corpo selvagem,
um cama-sutra de prazer
em desejos do tipo camicase!
Ai! No tabuleiro de orgias
sou eu o teu louco samurai!

O Sibarita

quarta-feira, dezembro 05, 2007

RECORRENTE...

Recorrente...

Eu canto a primavera, não sabes...
O que é? Se fitas os meus olhos
Cheios de perguntas recorrentes,
Decifras, talvez... Amiúde, não digo.
Quem sabe? O sopro perene dos ventos,
O luar, as estrelas, etc., desejos antigos...

E sabes? Se toda paixão aflora dos desesperos,
Seria loucura minha ou a fenda do tempo?
Sim, eu sei, o quanto das minhas noites frias.
Não, não me mal digas... Apenas, decifras!
Mas, não intercales o punhal da agonia...

O que se foi... O que e a quem lembrar?
E então? Se marcho para a noite sem ti
Levo comigo, a minha e a tua solidão,
É que o teu lado vive igual a mim...
E no compasso dos meus passos,
Divido o silêncio do teu quarto!

Minha gema rara, as tardes eu sei,
O sol, o mar... A mesma coisa. Puro tédio!
Se o teu céu é distante, o meu sol é presente,
Agora, deste teu olhar decorrente...

Não sabes... Também não digo dos labirintos.
Mas, se centelhas... Beijo-te o ventre
E, levo-te da fronteira do nada ao infinito...

O Sibarita

sábado, dezembro 01, 2007

O TEMPO

O tempo

O tempo!
São dois pólos, são dois olhos
escorre entre mãos, brinca com sentimentos
disfarça, traduz, prende... Não escapo!
Tenho amarras preso ao invisível,
nenhum rosto, pura imaginação...
Por vezes a paixão, por vezes a ilusão,
o belo e o infinito, elos por um fio!
O tempo,
destila pelo prazer da dor
recolhendo os beijos que me destes,
(Ai, teus beijos tem fogo!)
ainda, que fossem em sonhos...
Talvez mistérios, talvez labirintos,
bem sabes!
Quando ao acaso o meu tempo determinares,
do teu tempo beberei o cálice do teu ser...
A alma, minha alma!
Luz da aurora reluzirá mente e corpo,
andará, sobre os desejos dos teus sonhos
e no bel-prazer beijará os teus lábios,
dos meus olhos verás um céu azul anil!

O tempo lampeja! O tempo conspira...
Diz-me então? Ai de mim!
Serei fugitivo de um tempo?
O caminho?
Em um ponto, qualquer ponto...
A travessia!

O Sibarita

quarta-feira, novembro 28, 2007

LAÇOS

Laços

No anseio do amor guardo os teus beijos intensos
Sob aquela lua entre nós esparramada nos lençóis,
Enquanto, cravavas no meu peito a paixão ardente
Na razão que cobria a nudez de todos os teus sóis.

Sei... Seria eu cego aos ventos da sanha que te devora.
Acesos desejos galopando nos céus irados do vendaval
Que te possui e sufoca o teu coração na vaga luz de fora,
Vagante ao teu lado em horas dentro na paixão visceral.

Contudo, a lua mansa reina na tua essência de menina.
Sinto, então, o teu seio pulsando no meu chão de versos
Explodindo amor, amor e amor no luar das tuas retinas
Alumiando celestialmente a esquina dos meus desertos.

Meu bem, por ti me vejo e, assim, aos teus olhos profanos
O fogo do coração nas lágrimas vertidas, o tempo se refaz
No universo. E eu na corrente do rio sempre vou ao oceano,
Perto ou longe qualquer coisa me afoga entre soluços e ais.

Nas rotas de fugas, sou abrigo. É necessário tão somente voar
Como um pássaro de pluma ao coração que bate no meu peito
E sem malas ou agendas, para lá ou para cá é preciso só amar
No frio da madrugada quando eu cair, enfim, ao teu (de) leito.

Mas, que dor oculta te oprime o coração? No suspiro, dizes tu!
Se te perco ou se te guardo no pranto dos teus olhos perdidos
Nada perdes! O amor aprisionado nas chamas navega no azul,
Exaltando cobiças, sou um oceano de gelo em fogo convertido.

Assim, o teu olhar rasgado palpita e me consome no teu fogo.
Teu corpo como plumas acaricia o meu corpo, a flama ressoa
Na avidez da tua boca sedenta nos delíquios de todos os rogos,
É, uma lua em gozos sobre nossos corpos estremece, sobrevoa...

O Sibarita

sexta-feira, novembro 23, 2007

RELICÁRIO

Relicário

Lembrar-te-ei e resguardarei os meus passos
Na suavidade da paisagem em que modula
A freqüência das cicatrizes... Eu me refaço
Em carne rubra de desejos que o amor anula...

Decifras, então, as noites que nos rodeiam
Em que o amanhecer ruminando ventanias
E por teu desejo me queres preso a tua teia
Fios cândidos, tênue das horas em agonias...

Dar-te-ei uma flor, roubar-te-ei um beijo
E tudo diz no infinito... Entrego-me e ouço
Sob a mesma noite que nos cobre, e vejo!
Do teu olhar a melhor parte do meu corpo...

Diz-me então, se há regras, se o fogo avança
Ou se é para o teu olhar que estou correndo?
Dos olhos em que busco o amor, em si estanca
Ora! Direis do meu coração que está morrendo...

Pasmo! Sobre a angustia do pensar e no alude
Desse manto na vertigem do azul céu/lua, tateio!
Então, entrego-te em luz o que a boca não te diz
O outono desses versos apontados para o teu seio...

É... Mas, dos teus olhos de primavera acesa
Colho brancos lírios, encontro desejos e fuga.
Oh doce estrela, não sei se a paixão é avessa
Ou se ébrio de ilusão o destino faz o caminho...

O Sibarita

sábado, novembro 17, 2007

DEMI-MONDAINES

Demi-mondaines

Caô, Caô!
Ah, eu corri mundo no meretrício:
*Pelourinho, Ladeira da Montanha
Maria da vovó, Sayonara, Taboão
Maciel, Tabaris, Sessenta e Nove,
Ladeira da Misericórdia, Conceição...

No olhar das donas moças a emoção
Como bel-prazer numa lua de assanha.
Dentro dos pardieiros o leito da profanação
Na opulência das púrpuras romanas...

Elas cantavam as infinitas nostalgias
Das noites dos teus corpos no esplendor
Nos mistérios do amor e melancolias
Sob as asas palpitantes dos teus gigolôs.

Elas tinham os olhos inocentes,
Inocentes de saberem tudo
Bebiam do azul a cobiça reticente
No arcabouço dos sussurros...

Vestidas de flores do luar,
O azul se dissimulava.
É que atrás dessas flores
O bel-prazer se lançava, perdurava.

Na relva oxigenada do púbis,
Daqueles púbis - horto exíguo –
Resplendeciam fragrâncias mundanas
Nas chamas supremas do fogaréu infinito
Dos teus corpos de emoções profanas...

Sob o lençol de aromas do meu corpo,
A suave teia do louco que existia em mim
Buscava com fúria os desejos absortos
Nos bosques dos teus orgasmos sem fim...

Evoé! O Sibarita se atirava louco, lírico
E elas se faziam nuas na dança dos véus.
Ai! Nas dobras de todos os precipícios
Elas me levavam aos infindos dos céus...

Em todas elas as noites se revelavam
No fausto dos teus corpos majestosos.
As tuas pupilas dançavam e boiavam
Nas deliciosas síncopes dos gozos...

Os seios delas, asteróides pontiagudos,
Oferecendo-se sob vestidos insinuantes
Às bocas desejosas e na contra-luz do abajur
Os corpos ardentes das meretrizes amantes.

Ao ritmo dos corpos, cintura e ancas
Num leito de rosas e lençóis de jasmim
A noite em montes de pétalas estancava
Na ardência das chamas, ai de mim!

Valha-me Deus Nosso Senhor!

Diacho de demi-mondaines às espreitas
Na carnadura dos sentidos maledicentes,
Vil metal gemendo, serenatas perfeitas
Nos gozos em prostíbulos reticentes...

O Sibarita

*Eram os locais dos meretrícios (Bregas em baianês) em Salvador por volta dos anos 60,70,80. Uns entraram em decadência total, outros continuam, mas, sem o mesmo glamour de outrora.

Peço desculpas aos amigos que tem vindo aqui sem que eu dê retorno. Estou em viagem de trabalho e por isso mesmo sem o devido tempo. Na próxima semana estarei de volta à Salvador ai então visitarei à todos.


sábado, novembro 03, 2007

JOÃO PALAFITAS

João Palafitas
Aos amigos de infância
Acordou, escovou
os dentes com carvão,
olhou a mesa, pratos vazios...
Ruminou com os olhos a fome.
Abriu a janela, viu
um sol nascente mirrado,
mas que enche bocas vazias,
dependurado nos caibros...
Rogou aos céus!
Passou pó de pemba no peito,
colocou o patuá no pescoço,
fechou o corpo!
Apanhou o velho gereré,
chamou por Ogum de Ronda
e desceu para a maré.
Foi mariscar...
Papa-fumo,
canivete e rala-coco.
Siris magros,
caranguejos e aratus.
Não acreditou!
Passou as mãos nos olhos,
viu a fonte do seu alimento,
sem ao menos lhe darem
outro meio de sustento
aterrada pelo lixo
da noite para o dia!
Chorou nas mãos
toda a sua agonia...
Enquanto,
ratos, baratas e urubus
faziam a festa, sorriam!
Ainda restava
um penico de maré.
Não pensou duas vezes:
no gereré rasgado
deu algum nó
e pescou magros baiacus.
Tinha ali o seu pôr-do-sol!
Subiu as pontes,
passou no boteco,
cacete-armado de Tonho de Zene,
pediu uma e deu para os santos,
depois, tomou três poca-olho.
Saiu mambembe,
revirando os olhos, zarolho...
Chegou no barraco, sem tirar as tripas,
feliz, jogou na panela os baiacus!
Danação de fome... Aferventados,
encheu o prato, agradecido,
fez o sinal da cruz!
Chamou para dentro o alimento,
enganou ali todo o sofrimento...
Deitou, dormiu por breve momento,
sonhou com uma vida melhor,
com a primeira namorada,
como seriam os filhos ali
sem escolas, sem horizontes,
só lixos, ratos e baratas por todos os cantos
e nenhuma felicidade por encanto.
Bateu escuridão! Acordou,
com o serviço de alto falantes
São Lázaro tocando: “Eu não
tenho onde morar...”
Deu caruara, guenzo
correu para o penico,
o corpo trêmulo, suava!
Ainda tomou um chá de velame
para rebater o veneno dos baiacus
que lhe tinham saciado a fome.
Deu vexame!
Colocaram o corpo moribundo
no carrinho de mão,
correram pelas pontes
Santo Antonio e Copacabana
em busca de socorro.
Chamaram Dona Joana rezadeira.
Ela, com três galhos de guiné
e um dente de alho macho
rezou o corpo de João
pensando que era mal olhado...
Tarde demais!
João, ainda, semi-inconsciente,
Pensou em Gilda sua namorada,
no terreiro de Candomblé, era corujebó,
na roda de capoeira, nos pais,
nos amigos de infância,
no ano novo chegando,
na mesa farta que nunca teve
e em uma vida melhor com esperança.
Deu o último suspiro,
ficou tudo na lembrança...

Nas rodas de capoeiras
o luto dos beribaus,
nos terreiros,
o silêncio dos atabaques!
Nos barracos pendurados
um céu cinza nos olhares...
Deus sabe!

O Sibarita

terça-feira, outubro 30, 2007

JANEIRO, FINDO!

Janeiro,Findo!

Das minhas palavras ouvidas amor e amor que outras devessem
Beijar-te o coração? Dizes tu... Nesse janeiro absurdo e esquivo!
No meu peito, um acervo inútil de palavras rebuscadas do amor
Que por ti regam a primavera dos meus dias na maciez dos lírios...

De tudo... Vasto, o sol morrente voa sob a túnica da tua brisa,
Ventanias na porta da noite da lua nova curva e fina no poente
Decifra o caminhar no lume do teu sereno olhar de Mona Lisa.
É que os meus olhos debruçados no teu céu têm o chão presente...

No caos, esse amor é doce ferida, fenda oblíqua que lavo e tinjo!
E porquanto refaço o limiar da paixão nas cicatrizes das chagas,
Na tela da memória o meu tempo é de puro desejo... Não finjo!
Habitam em mim sonhos que agora, por teu querer, deságuam...

Há no meu seio o brilho mais puro e intenso na luz do teu alcance,
E vejo escorrer entre os teus dedos e desejos essa luz de ouro e jóia!
Mas... No teu pensar manda-me as noticias desse tempo sem tempo
Que pela clarabóia do teu sol lerei tua carta de amor vinda de Tróia!

Geograficamente na distância do teu sol e no véu dos meus espelhos
Reflete o mapa do teu coração na inspiração desse poema inverso
Ruminando lembranças dos meus passos no teu caminho por inteiro.
Prenda minha! No (des) encanto a ti ofereço o vôo destes versos...

Entretanto, é do teu coração feito de vida,
Interrogações e paixão, presente e alheio
De farol aceso na esquina da minha agonia
Que lumia tempestades em pleno janeiro...

És tu, és tu amada minha em meus olhos
Vestida de luz, de brisa, polén e ventanias.
Sou eu, sou eu amor o morto e o renascido
O pedra, o harmônico e o contraditório...

O Sibarita

Caro leitor, o Porta Curta continua com o curta animação, imperdível!
Alma Carioca - Um Choro de Menino - A produção deste curta foi viabilizada com patrocínio Petrobras. História de um menino que vive na zona portuária do Rio de Janeiro da década de 20 e testemunha o surgimento do Choro, quando encontra os grandes mestres pioneiros desse estilo puramente carioca.
Boa diversão.

segunda-feira, outubro 29, 2007

PRELÚDIO

Prelúdio

Há de se exprimir esse derramamento de amor
Letras por letras, letras vivas que a boca não diz!
Eu sei que o mesmo coração que molha a pena
Expressa nos versos o desejo, o instinto da paixão...

Mas, o amor faz medo... A confissão espanca, arde,
Sangra impotente, dá nó e morre presa na garganta.
Enfolho então o grito abafado, o pensamento ferve
Vulcão sentimental, incandescente e lava reticente...

O coração traspassado na paixão fala e fala nos versos
Na mente, a ânsia do amor, escorre em retalhos de papel!
-Guardo, no entanto, nos meus olhos os desejos imersos...

Os debruns das palavras tornam-se um turbilhão
A flor, o canto, o olor e o céu de quem escreve!
-Diga ai coração com seis cordas de paixão...

O Sibarita
Caro leitor o Porta Curta dessa semana é uma animação imperdível.
Alma Carioca - Um Choro de Menino
Gênero Animação
A produção deste curta foi viabilizada com patrocínio Petrobras. História de um menino que vive na zona portuária do Rio de Janeiro da década de 20 e testemunha o surgimento do Choro, quando encontra os grandes mestres pioneiros desse estilo puramente carioca.
Boa diversão.

quinta-feira, outubro 25, 2007

LUCKY DUBE (EM MEMÓRIA)

Caros leitores, no dia 18/10 o maior astro do reggae da atualidade Lucky Dube foi morto em uma tentativa de roubo em Rosettenville em Joanesburgo, África do Sul, quando levava os filhos para casa de familiares. Lucky Dube deixa um grande vazio na indústria da música. Sul Africano, globalmente reverenciado.

Suas músicas são tocadas em todo o mundo, através, dos seus 22 álbuns gravados em Zulu, Inglês e mesmo Afrikaans – com recorde fenomenal de vendas ao redor do mundo. Lucky Dube nasceu no dia 3 de Agosto de 1964, em Ermelo, na África do Sul. Com 9 anos de idade, foi escolhido como assistente da biblioteca de sua escola. O desejo de aprender sobre o resto do mundo e sobre a história da África do Sul fez com que ele entrasse para o mundo da música e Literatura.

Aqui em Salvador a Capital do reggae no Brasil ele fez show em maio deste ano. Regueiro que sou, claro, eu estava lá.

Site de Lucky Dube:http://www.luckydubemusic.com
REGGAE É MÚSICA, SE LIGA MEU REI!
O Sibarita

terça-feira, outubro 23, 2007

FORMOSA




Formosa 

Cheiro de rosas, cheiro de cravos
Do perfume distante do teu vulto
No feitiço de que sou o teu escravo
Dissolves em lua a treva que me oculto.

Gritam em nós todas as nobres taras
E por amor deste amor e dessa argila
Em que são feitas todas criaturas raras
Somos querer e lua crescente que brilha.

Na distância nascemos um para o outro
Mais que pensamentos e forma, em mim
A saudade bate na lembrança do teu rosto
É que tenho meus olhos guardados para ti.

Formosa, amar de puro amor, amar, amar
Quando a minha alma entrelaçada à tua
Banha-se nos beijos molhados do teu mar,
O anoitecer com olhos profanos despe a lua.

Mas, amor, dos teus seios o teu corpo é fruto
Doce que minha boca viciada delicia e sorve
Das tuas entranhas os teus orgasmos absolutos
No sumo dos meus gozos que teu ventre absorve.

Formosa, meu coração, é templo que tu cultuas
O amor eternal, fiel ao nobre dever e, sem ânsias
Enche o nosso olhar de sonhos e primaveras nuas
Na cor do sol, do mar, do céu e (apesar) da distância.

O Sibarita


sábado, outubro 20, 2007

BULIMIA...

Bulimia...

Jauá. Meia noite. Ai Deus! Eu, ela e a lua.
Lábios contra lábios e a bulimia dos desejos
Em tremores dos corpos na escuridão da rua.
Mãos sutis correm refém na delicia dos beijos!

Evoé! Os verdes olhos dela são duas esmeraldas
Acendendo a noite em lampejos dos ais e dos uis.
É o amor venal no esplendor de todas as baldas
Vestido de gozos com franjas do luar nos azuis!

Agora, o seu corpo é fruto. Ah, vem dormir comigo
Sob essa lua nos lençóis de fragrância do meu corpo.
Sereia! Vem na volúpia de mais uma noite contigo,
Para minha psiquê só mesmo a sua plástica e escopo.

Ai! Entra. Dispa-se. E, nua, no encanto, sem cerimônia,
Poderosa, mata-me nas suas fantasias e vontades sem fim.
De chofre, vem oh pulcra, lassa, irreal, serena e demônia
Como o diabo gosta no isso ou aquilo, assim, bem assim...

Affff! Seus seios, a cintura e as ancas na dança do amor.
É, toda deusa, se entrega na volúpia dos desejos ditosos.
Tudo explode, no leito, corpos entrelaçados é lua em flor
Solvendo o nécta de unha a unha na derrama dos gozos...

O Sibarita
Caro leitor o Porta Curta desta semana é: AMOR
Ficção De José Roberto Torero 1994 14 min Com Elias Andreato, Paulo José, Rosi Campos, Guilherme Karam, Paulo César Pereio Um divertido mas amargo panorama das muitas e diferentes visões que se pode ter do amor.
Boa diversão!
Ouça a www.sibaritawebradio.com se ligue!

quarta-feira, outubro 17, 2007

JUIZ PORRETA

Caros leitores, como o Sibarita é um blog de poesia e baianidade. Hoje, coloco uma sentença do Ilustre Juiz de Direito, baiano, Gerivaldo Alves Neiva que no exercício na Cidade de Conceição do Coité/Bahia. nos mostra que nem tudo está perdido. Vale a pena ler toda a sentença que extrapolou as fronteiras da Bahia.
Aos amigos causídicos e outros amigos ...
Precisamos de uma Justiça assim.
Com Juízes e Justiça refletindo o sentimento do nosso povo ( como a
corrente de juízes e advogados do RS )...

Com o Povo...

?Os juízes precisam ser independentes para julgar, mas o Judiciário
não precisa ser independente do sentimento do povo?.
Rodrigo Collaço, 42 anos, presidente da Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB). "Revista JustiLex"
--------------------------------------------------------------------------------

JUIZ PORRETA
ENVIADO POR JORNAL CORREIO

O Exmo. Magnífico Porretíssimo Gerivaldo Alves Neiva é Juiz de Direito na Bahia mas deveria ser alçado a Imperador. Vejam que sentença magnífica contra a Siemens ele escreveu. É delicioso, prova de que nem textos legais conseguem ser chatos, se escritos com gosto.

Processo Número: 0737/05

Quem pede: José de Gregório Pinto
Contra quem: Lojas Insinuante Ltda, Siemens Indústria Eletrônica S.A e Starcell

Ementa:
UTILIZAÇÃO ADEQUADA DE APARELHO CELULAR. DEFEITO.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO FABRICANTE E DO FORNECEDOR
Sentença:
Vou direto ao assunto. O marceneiro José de Gregório Pinto, certamente pensando em facilitar o contato com sua clientela, rendeu-se à propaganda da Loja Insinuante de Coité e comprou um telefone celular, em 19 de abril de 2005, por suados cento e setenta e quatro reais. Leigo no assunto, é certo que não fez opção por fabricante. Escolheu pelo mais barato ou, quem sabe até, pelo mais bonitinho: o tal Siemens A52.
Uma beleza!

Com certeza foi difícil domar os dedos grossos e calejados de marceneiro com a sensibilidade e recursos do seu Siemens A52, mas o certo é que utilizou o aparelhinho até o mês de junho do corrente ano e, possivelmente, contratou muitos serviços. Uma maravilha!

Para sua surpresa, diferente das boas ferramentas que utiliza em seu ofício, em 21 de junho, o aparelho deixou de funcionar. Que tristeza: seu novo instrumento de trabalho só durou dois meses. E olha que foi adquirido legalmente nas Lojas Insinuante e fabricado pela poderosa Siemens?... Não é coisa de segunda-mão, não!

Consertado, dias depois não prestou mais? Não se faz mais conserto como antigamente!

Primeiro tentou fazer um acordo, mas não quiseram os contrários, pedindo que o caso fosse ao Juiz de Direito.

Caixinha de papelão na mão, indicando que se tratava de um telefone celular, entrou seu Gregório na sala de audiência e apresentou o aparelho ao Juiz: novinho, novinho e não funciona. De fato, o Juiz observou o aparelho e viu que não tinha um arranhão.

Seu José Gregório, marceneiro que é, fabrica e conserta de tudo que é móvel. A Starcell, assistência técnica especializada e indicada pela Insinuante, para surpresa sua, respondeu que o caso não era com ela e que se tratava de ? placa oxidada na região do teclado, próximo ao conector de carga e microprocessador?. Seu Gregório: o que é isto? Quem garante? O próprio que diz o defeito, diz que não tem conserto?.

Para aumentar sua angústia, a Siemens disse que seu caso não tinha solução neste Juizado por motivo da ?incompetência material absoluta do Juizado Especial Cível - Necessidade de prova técnica.? Seu Gregório: o que é isto? Ou o telefone funciona ou não funciona! Basta apertar o botão de ligar. Não acendeu, não funciona. Prá que prova técnica melhor?

Disse mais a Siemens: ?o vício causado por oxidação decorre do mau uso do produto?.

Seu Gregório: ora, o telefone é novinho e foi usado apenas para falar. Para outros usos,tenho outras ferramentas. Como pode um telefone comprado na Insinuante apresentar defeito sem solução depois de dois meses de uso? Certamente não foi usado material de primeira.
Um artesão sabe bem disso.

O que também não pode entender um marceneiro é como pode a Siemens contratar um escritório de advocacia de São Paulo, por pouco dinheiro não foi, para dizer ao Juiz do Juizado de Coité, no interior da Bahia, que não vai pagar um telefone que custou cento e setenta e quatro reais?

É, quem pode, pode! O advogado gastou dez folhas de papel de boa qualidade para que o Juiz dissesse que o caso não era do Juizado ou que a culpa não era de seu cliente! Botando tudo na conta, com certeza gastou muito mais que cento e setenta e quatro para dizer que não pagava cento e setenta e quatro reais!
Que absurdo!

A loja Insinuante, uma das maiores e mais famosas da Bahia, também apresentou escrito de advogado, gastando sete folhas de papel, dizendo que o caso não era com ela por motivo de ?legitimatio ad causam?,também por motivo do ?vício redibitório e da ultrapassagem do lapso temporal de 30 dias? e que o pobre do seu Gregório não fez prova e então ?,allegatio et non probatio quasi non allegatio?.

E agora seu Gregório?

Doutor Juiz, disse Seu Gregório, a minha prova é o telefone que passo às suas mãos! Comprei, paguei, usei poucos dias, está novinho e não funciona mais! Pode ligar o aparelho que não acende nada! Aliás, Doutor, não quero mais saber de telefone celular, quero apenas meu dinheiro de volta e pronto!

Diz a Lei que no Juizado não precisa advogado para causas como esta. Não entende seu Gregório porque tanta confusão e tanto palavreado difícil por causa de um celular de cento e setenta e quatro reais, se às vezes a própria Insinuante faz propaganda do tipo: ?leve dois e pague um!? Não se importou muito seu Gregório com asituação: um marceneiro não dá valor ao que não entende! Se não teve solução na amizade, Justiça é para isso mesmo!

Está certo Seu Gregório: O Juizado Especial Cível serve exatamente para resolver problemas como o seu. Não é o caso de prova técnica: o telefone foi apresentado ainda na caixa, sem um pequeno arranhão e não funciona.
Isto é o bastante!

Também não pode dizer que Seu Gregório não tomou a providência correta, pois procurou a loja e encaminhou o telefone à assistência técnica. Alegou e provou!

Além de tudo, não fizeram prova de que o telefone funciona ou de que Seu Gregório tivesse usado o aparelho como ferramenta de sua marcenaria. Se é feito para falar, tem que falar! Pois é Seu Gregório, o senhor tem razão e a Justiça vai mandar, como de fato está mandando, a Loja Insinuante lhe devolver o dinheiro com juros legais e correção monetária, pois não cumpriu com sua obrigação de bom vendedor.

Também, Seu Gregório, para que o Senhor não se desanime com as facilidades dos tempos modernos, continue falando com seus clientes e porque sofreu tantos dissabores com seu celular, a Justiça vai mandar, como de fato está mandando, que a fábrica Siemens lhe entregue, no prazo de 10 dias, outro aparelho igualzinho ao seu. Novo e funcionando! Se não cumprirem com a ordem do Juiz, vão pagar uma multa de cem reais por dia!

Por fim, Seu Gregório, a Justiça vai dizer à assistência técnica, como de fato está dizendo, que seu papel é consertar com competência os aparelhos que apresentarem defeito e que, por enquanto, não lhe deve nada.

À Justiça ninguém vai pagar nada. Sua obrigação é fazer Justiça!

A Secretaria vai mandar uma cópia para todos.

Como não temos Jornal próprio para publicar, mande pelo correio ou por Oficial de Justiça.

Se alguém não ficou satisfeito e quiser recorrer, fique ciente que agora a Justiça vai cobrar.

Depois de tudo cumprido, pode a Secretaria guardar bem guardado o processo!

Por último, Seu Gregório, os Doutores advogados vão dizer que o Juiz decidiu ?extra petita?, quer dizer, mais do que o Senhor pediu e também que a decisão não preenche os requisitos legais. Não se incomode. Na verdade, para ser mais justa, deveria também condenar na indenização pelo dano moral, quer dizer, a vergonha que o senhor sentiu, e no lucro cessante, quer dizer, pagar o que o Senhor deixou de ganhar.

No mais, é uma sentença para ser lida e entendida por um marceneiro.

Conceição do Coité, Bahia, 21 de setembro de 2005 Gerivaldo Alves
Neiva, Juiz de Direito

sábado, outubro 13, 2007

A FLOR DA PELE

A Flor da Pele

Minha alazã, domadora de tédio, aqui adejo
Os teus segredos nos nossos limites vencidos
Sob a lua despida das partes infinitas do amor
Espreitando teus labirintos finitos em vertigem...

Ah! Relembras comigo, aquele por do sol
No Solar do Unhão*, o mar, a brisa gelada
Soprando na tarde/noite do azul quase tosco
Em que buscávamos a fronteira do infinito.

E, ante, as nossas mãos protervas vibrando
Nos nossos corpos sob um céu de libidos
Circulando na semi-noite... Animais no cio,
Entrelaçados em plenos gozos e gemidos...

Ah, as minhas mãos recorrentes percorriam
O teu corpo contornando as tuas belas curvas...
Tu balbuciavas sem nexo, buscais os meus seios!
Buscais as minhas coxas, o meu ventre, o meu sexo...

Ai! Os nossos sussurros férvidos do prazer e do ser,
A flor da pele... O meu sexo alucinado feito lobo,
Tresloucado, enfurecido e leve na dança do amor,
Penetrava no teu sexo úmido aos urros do teu rogo...

O Sibarita
Caro leitor o filme da vez é:
Balada das Duas Mocinhas de Botafogo
Ficção, CONTEÚDO ADULTO De Fernando Valle, Joao Caetano Feyer 2006 14 min
Com Alexandre Borges, Guta Stresser, Fernanda Boechat, Malu Valle
Botafogo, bairro carioca dos casarões antigos, das colegiais em flor... e do cemitério. Duas irmãs como só Vinícius de Moraes viu.Conteúdo adulto
Boa Diversão!
Ouça a www.sibaritawebradio.com Se ligue!

quarta-feira, outubro 10, 2007

DIVAGANDO...

Divagando...

Em, algum lugar, o teu coração cruza a estrada,
As estrelas do mirante cavalgam no dorso da lua.
E, divagando, o teu olhar se exprime com o nada
No espaço descortinado de sidéreas sombras nuas...

Então, tudo é noite, não adianta nada cerzir a alma,
Não há mais anseios por este amor e nem o coração
Se a ventania arrebenta vidraças em plena alvorada
Quando o desejo vibrante de nervos desanca a paixão.

O que fazer? Chamo o dia que renasce e semeia o sonhar
Desfazendo as nuvens pálidas no azul sem os teus traços.
Divago, espio o pôr-do-sol e lá no farol de Monte Serrat
Eu horizontalizo a paisagem para os meus olhos castos...

E quem sabe, nos suspiros, poderá vir ainda o dia claro,
Ver-te-ei? Dizes que sim! A vida é para se viver e amar.
É isto às vezes! Aos corações nos destinos acorrentados
Nenhum lugar é onde estamos. O amor nave no mar...

Aportando em algum porto, o que fazer? Seja o que for
Precisamos continuar vivos, o tempo, renasce e semeia
A cada maré. Não sei aonde vais, mas, sabes aonde vou,
Quando a noite germina furacões em qualquer lua alheia...

É isto! O céu e as palavras e o céu azul que me socorre
Brilha pelos oceanos que o teu rosto fascina e extasia.
Então, formato tua imagem e nos teus seios de asteróides
Navego com os meus lábios no mel das minhas fantasias...

O Sibarita

Caro leitor, Porta Curta da vez é "BALA PERDIDA"
Com Alexandre Rodrigues, Camila Pitanga, Emiliano Queiroz e Lúcio Mauro
O trajeto de cinco balas em premiadíssimo curta que conta com Camila Pitanga e Tuca Andrada.

Bom diverimento!

Ouça a www.sibaritawebradio.com


segunda-feira, outubro 08, 2007

DESERTOS...

Desertos...

A brisa já não murmura na noite quieta e mansa
Ventanias e tempestades na vinheta cor-de-rosa
Faz do vosso humano coração o fel que me alcança,
E no azul, a paisagem recobre o dia, sufoca, tosa...

Se conosco, agora, por vosso desejo somos desertos,
O meu silêncio será a vossa dor e não há como fugir
Estou impregnado no vosso querer de frio alabastro
Se em vós no esplendor lunar a máscara da noite ri...

Ensombrando o chão que foge na distância da aurora
E, lá fora o céu de inverno, o vento, a chuva e o frio.
Jamais fingi o sonho que sustentei em vós e no agora
Esse sol gelado dependurado num horizonte vazio..

Sei... Rindo ao redor, então, sinto o vosso menoscabo.
Na fogueira dos sonhos crepita a sordidez dos amores,
Na solidão das areias componho a ária do meu silêncio,
Como tuaregue faço sonata no Saara do vosso coração...

O que fiz? Tramas nascem e cavalgam na farsa... Amada,
Então, partistes? Não vi vossas lágrimas caírem e caíram?
Vosso caminho, agora, é vasto e cru. A solidão é a estrada!
E a palavra é amor, a outra é amor e a essência é a paixão.

No metafísico os caminhos azuis não são esquivos na passada,
Como esquecer os nossos olhares, os nossos beijos, nossa voz?
Que aura conduz vosso gesto no fel da imprecisão das horas?
Mas, como dissolver em adeus os nossos passos? Dizeis vós!

O Sibarita

Caros leitores o Porta Curta dessa semana é IMPERDÍVEL "Cartas da Mãe"
Documentário De Fernando Kinas, Marina Willer 2003 28 min
Premiado documentário sobre o genial cartunista Henfil.
Cartas da mãe é uma crônica sobre o Brasil dos últimos 30 anos contada através das cartas que o cartunista Henfil (1944/1988) escreveu para sua mãe, Dona Maria. Estas cartas, publicadas em livros e jornais, são lidas pelo ator e diretor Antônio Abujamra enquanto desfilam imagens do Brasil contemporâneo. Política, cultura, amigos e amor são alguns dos temas que elas evocam, criando um diálogo entre o passado recente do Brasil e nossa situação atual. Artistas, políticos e amigos de Henfil, entre eles o atual Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o escritor Luis Fernando Veríssimo, os cartunistas Angeli e Laerte e o jornalista Zuenir Ventura, falam sobre a trajetória do cartunista dos anos da ditadura militar até sua morte. Animações inéditas de seus cartuns complementam o documentário.

OUÇAM: WWW.SIBARITAWEBRADIO.COM

quarta-feira, outubro 03, 2007

VESTÍGIOS...

Vestígios...

Ai Deus! Como um rio, água humilde sou.
Correi doçuras e dor. É ela, assim, lasciva.
Ó, nos teus vestígios, dizei-me: aonde vou?
No meu olhar, tu ali viva, passou, tão viva...

Agora, eu te digo: teu corpo é pássaro e fruto.
Cabelos de fogo e cobre, água deslumbrante
Em fuga, relâmpago sem memória, noturno.
E essa crosta e limbo dentro de ti, escamante...

- O que dizes amor?

Essa poesia.
Da onde será que ela nasceu?

Vestígios e desejos.
Águas marinhas.

Veio dos vestígios ou do sal?
Esses dois que moram no fundo e no fim.

- De quem falas meu bem, do mar ou de mim?

De ti! Foram os teus passos trazendo o fogo no olhar
Que cravaram uma lança na paixão e o tempo gelou.
Minha senhora vestida de sonhos com franjas do luar
Ou o amor não é amor ou ninguém nunca te amou...

Há fogo, há sóis intactos
E algo cintilante e solto
Que flameja, foge no vestígio casto
Onde, um vento revolto
Apaga os rastros...

O Sibarita

Caros leitores o Porta Curta dessa semana é com o falecido Chico Science, Regina Case e Fred 04 “A Perna Cabiluda” é um documentário IMPERDÍVEL. Uma misteriosa aparição causou pânico em Recife nos anos 70! Da mesma equipe de Cinema, Aspirinas e Urubus, um dos melhores longas brasileiros dos últimos tempos. De Beto Normal, Marcelo Gomes, João Júnior, Gil Vicente 1997 19 min.

DEPOIS OUÇAM A WWW.SIBARITAWEBRADIO.COM MÚSICA E ATITUDE, SE LIGUE!

sexta-feira, setembro 28, 2007

MIRAGEM

Miragem

A vaga, agora, cruza o silêncio de agonias.
E, comigo, uma lua de miragem orvalhada
Saindo ao léu para ensombrar os meus dias
Sob um céu amaranto de seiva evaporada...

Piro, viajo na maionese e no olhar esquivo
Sol e lua no mar e o crepúsculo espelhado
Franqueando a noite para um céu risível
Nos lábios da tarde ardentemente curvado.

Contigo, estrela e brilho que a noite inflama
Na placidez dourada dessa alma leda e cega.
Valha-me Deus! Pelas trevas, ela me chama...

Então, eu te sinto, lúdica aromal que se revela
Espreitando o meu caminho com o teu perfume
De flores sugadas em rondas de pura quimera...

O Sibarita
Sibarita Web Rádio
Música e atitude, se ligue!
Caro leitor o filme dessa semana é um documentário muito bom!
Documentário que aborda de forma mais humana uma realidade estereotipada e desgastada pelo preconceito de uma grande parte da população. O "Ocupação Feminina" expõem o cotidiano dos moradores de um acampamento sem-teto a partir das histórias de vida das mulheres que lá habitam.

Boa diversão!


sexta-feira, setembro 21, 2007

REVERSO

Reverso
Ai! Um cenário de ânsias e fossa arquejante...
Sei lá! Agora, em mim, esse silêncio abismo
E no céu azul essa lua de fogo tão passante
De alma em fuga respirando atalhos, cismo!

Perscruto os teus acenos, cadê? Apalpo o escuro,
Medito, cogito e indago: tens alma? Ai os dias!
Em que se afogam meus desejos no céu obscuro
Dessa ausência de ti em sombras e melancolias...

Mas, a vida passa e o fogo desta tua chama acesa
Em formas e cores clareia o tempo, o crepúsculo.
Aqui estou! Contigo e comigo a última centelha...

No imo, os destinos travados, eu sorvo o sonhar
Em águas de redemoinho no rio da tua margem
Que faz tempo em ti correndo bosques aqui, acolá...
O Sibarita
Ouça a Sibarita Web Rádio
Gosta de vídeos? Só a Sibarita tem! Se ligue!
Caro leitor, o filme desta semana é " ÁTIMO", excelente!
Ficção De Romeu di Sessa 1997 30 min com Lui Strassburger, Mayara Magri
Um amor que vence o tempo e a distância, desafiando até a força da História.
Se você ainda sente falta de uma antiga paixão ou da saudosa Mayara Magri,
emocione-se conosco!

sábado, setembro 15, 2007

ALAGADOS(Palafitas)

Alagados (Palafitas)

Em homenagem aos meus amigos de infância.
(Especialmente aos que se foram: Helena, Chica,
Deusinha, Toinho Magriça, Mário Nagô, Carlinhos negão,
Valtemir, Vando Bandolo, Gilson Caruru, Marquinho...)

Estes versos,
são memórias e sonhos
da maré como lembrança
nos desejos da infância
vivida nas palafitas...
De pés descalços
correndo sobre as pontes
catando raios de sol
nas asas de um beija- flor!
Meu coração tinha enredos.
Melancolia e fantasias
palpitavam como folias
e desfilavam sem alegorias...

À noite
os momentos eram
infinitos, um fifó aceso
espantando a escuridão,
gatos lânguidos esfomeados,
ratos correndo dos algozes
e tamancos rachados
fugindo da leptospirose...

O tempo à noite
sempre se estendia.
Eu tentava empurrá-lo
com as mãos, pura agonia!
Ele teimava desfilar, entre
os meus dedos lentamente...
Segundos, minutos, horas e dias.
Parava o tempo!

Uma Ave Maria e um Pai Nosso
para amenizar o sofrimento...

Pela fresta,
via-se as últimas gotas
de estrelas trêmulas,
circulando sobre
tábuas podres sobrepostas
e esqueletos de caibros
sob a lua, que ludibriava os telhados...

O dia
florescia na enchente
atiçada pela maré de março.
Em cada barraco, olhos velados
retiravam o que tinham e o que não tinham.
Sufoco! O povo dos alagados
recorria a todos os santos
sob a luz de um sol minguado...
Correi marezeiros!
Há nas pontes
dependurados e sombreados:
desejos da vida, sangue em lágrimas,
trapos velhos e penicos furados
rasgando o ventre dos sonhos
sempre macerados!

Bocas de caranguejos
asas de morcegos
e nenhuma flor como desejo...

A maré cheia
convidava ao mergulho.
Crianças davam caídas,
era o prazer do corpo na água,
o debater de braços e pernas, nadar!
Ingenuidade da flor idade...
Na borda do prazer,
a cilada montava o cenário
entre lixos, galhos e estacas.
O perigo era fatal... Tarde demais!
No azul, um sol de tempestades.
A morte era crua, a felicidade era fugaz.
Na adversidade, mais um que se vai!
Erguia-se um silêncio,
havia uma alma desesperada,
em fuga, pedia a extrema-unção!
A tarde uivava, a dor se curvava
e nenhum padre, nenhuma benção,
mas, a noite te virá em orações!
Naqueles momentos,
a maré cumpria a sua sina.
Vestia-se de cinza
e nos desesperos das lágrimas,
uma chuva fina...

Mas, não sei, era paradoxal!
Pratos vazios, tripas em revoluções
urubus, cachorros e ganhamuns
lutavam por comidas na beira mangue.
Siris magros e mariscos aferventados
crianças amareladas exangues!
O prato se repartia, mercúrio disputados,
enquanto, amebas e lombrigas faziam greve de fome...
Novo dia chegava, com ele, dona esperança
enganava a fome, a miséria... saia de fininho
e se jogava das pontes. Comida para barrigas vazias!
Nos telhados, a morte, despudoradamente ria,
filmava a cena de binóculos na aba de pratos sonhados...

Sob um céu de jade,
natal chegava com luas estreladas!
Nos nossos olhares quanta alegria
escondendo a dor, a melancolia...
Os barracos eram enfeitados,
no piso de tábuas carcomidas
a areia branca dava um toque mágico,
nos alagados enfim, tinha vida!
Nos jarros de barro,
galhos de pitanga e espada de Ogum,
folhas de arruda presas nas portas,
sal grosso nos telhados e alfazema
para espantar os maus olhados,
gatos pretos ludibriados...

A noite era o olhar e viria em clarões!
Nas janelas nenhum chinelo, nenhum tamanco.
Papai Noel nunca vinha, ele disfarçava, enganava
e nem ao menos um presente, uma bola, uma boneca...
As crianças da maré sonhavam descalças!

No fundo de nós,
uns olhos de tormentos
torturados por natais iguais,
à procura de manhãs desiguais!

Valei-nos, Jesus menino!
Lembrai dos vossos pequeninos,
em vossas mãos os nossos destinos!

O Sibarita
Ouça a Sibarita Web Rádiooperando em fase experimental. Aceitamos sugestões!
Caros leitores, estou repetindo a poesia "Alagados" devido o Porta Curtas desta semana "ILHA DO RATO"(ilha que xistia nos alagados antes de entulharem com o lixo de toda Salvador) se referir aos Alagados(Palafitas). Este Curta foi feito pela Comunidade da Vila Rui Barbosa, local, onde nasci e me criei. O Diretor do filme é Joselito fundador do Bangunçaço juntamente com o Sr. Anísio presidente do Conselho Comunitário dos Moradores da Vila Rui Barbosa.
Cliquem no Porta Curta Petrobrás, quando abrir a página cliquem em ASSISTA, ai começará o filme.

"Bitchu e um menino das Palafitas. No caminho da escola, ele vende "sonhos" para ajudar sua familia. Mas o sonho real de Bitchu e de achar um jeito para navegar ate esta Ilha que entrou na sua cabeça a noite passada."
Boa diversão!


quarta-feira, setembro 12, 2007

VÊNUS DE PARIS

Vênus de Paris

Duquesa, estes versos tem destino!
As palavras na espuma das nuvens,
São desejosas aos teus olhos felinos
Ainda que a primavera não te curve.

Mas, neste teu perfil de flor/musa
Enlaçam-me os desejos e no apuro
Do olhar sob os botões da tua blusa
Vejo teus lírios abrasados, fogo puro!

Seios libertinos, esplêndidos e lascívos
Na sedução do querer se mostram... nus
Aflorados, se entregam desejosos, rijos
Provocam os versos desse rendez-vous...

É que me inspiras, doce Vênus, enfeitiças
As estações enlaçadas dos meus espelhos
Vejo em ti, luz possuída, luzindo da cobiça
Sob o luar e na loucura dos meus beijos...

Teu corpo e o sol da tua seiva evaporada
É frágua dos meus gozos correndo refém
E nos desejos da noite na luz dissimulada
Os teus infinitos orgasmos dizem amém!

Duquesa, duquesa libertina, Vênus de Paris!
Poço dos uis e dos ais, deusa é o teu nome
Sobre o meu leito enlouquecida... ó flor meretriz
Covil do prazer aos gozos que nos consomem...

O Sibarita
Caro leitor ouça a Sibarita Web Rádiooperando em fase experimental. Aceitamos sugestões!
www.sibaritawebradio.com

Porta Curta desta semana "As Coisas Que Moram Nas Coisas" Cliquem no Porta Curta Petrobrás, quando abrir a página cliquem em ASSISTA, ai começará o filme.
"Enquanto acompanham sua família formada por catadores de lixo, três crianças atribuem novos significados aos objetos descartados pela cidade, inventando brincadeiras e pontos de vista."
Boa diversão!

quinta-feira, setembro 06, 2007

ÁGUA FUNDA

Água Funda...

Caô, caô! Eu me entrego, ando mesmo na arribação.
Tudo agora e amanhã explode em torres de insônias
E ao sopro da tua volúpia no tum tum tum do coração
Eu desfio as luas coalhadas e toco fogo na babilônia...

O meu pensamento é fervura, é dilúvio, é vulcão
Em ignição derretendo a face do amor submerso,
Que geme por cada filete no grito de desesperação
Em tremores de passos no meu quarto deserto...

Do mar de aéreo azul, amada, tens os olhos exilados,
No teu olhar pendem interrogações sob o sol deserto,
Crepúsculo que se esvai encobrindo o teu rosto amado
De sal nos lábios e coração mais que cimento. Concreto!

Curvada no teu seio, a paixão, sempre vem a galope
E no horizonte de ganhos e perdidos o teu nome ruge
Desfilando os momentos lentamente. Ai! Foge o tempo
E, entre, os prazeres divinais, na fome, como nuvens...

Em mim, é que habitas, minha dona e minha comparsa.
Eu, primavera em flor na nascente de todas as loucuras
Vejo-te da tua janela, em uma lua longa, magra, esparsa
E no teu olhar, céu que germina furacões, a candura...

Mas, eu permaneço em mim mesmo segurando o tempo.
E quem dirá das ânsias infinitas que o coração inunda?
Do dia e noite varridos nas asas dos arcanjos da agonia?
- São tantos os cinzas ardidos no abismo e água funda...

O Sibarita
Caro leitor ouça a Sibarita Web Rádio
operando em fase experimental.
Aceitamos sugestões!

Porta Curta desta semana "O Brilho dos Meus Olhos" Cliquem no Porta Curta Petrobrás, quando abrir a página cliquem em ASSISTA, ai começará o filme. Este curta é ganhador de vários prêmios.
Boa diversão!

Melhor Filme de Ficção no Guarnicê de Cine e Vídeo 2007Melhor Filme Nacional no Guarnicê de Cine e Vídeo 2007 Melhor Roteiro no Guarnicê de Cine e Vídeo 2007Melhor Trilha Adaptada no Guarnicê de Cine e Vídeo 2007. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2006Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2007Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte 2007Mostra de Cinema de Tiradentes 2007Curta Cinema - Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro 2006

terça-feira, agosto 28, 2007

A VOLANTE DO SARGENTO BEZERRA - CLIPE

video

Caros leitores, assistam, a esse vídeo caseiro "A Volante do Sargento Bezerra", banda baiana Pop Nordestina que faz sucesso aqui e no sul do pais. Recentemente se apresentaram no Jô Soares. Abaixo mais uma poesia "O CIRCO IV" espero que gostem e comentem juntamente com o vídeo.

Circo IV (Picadeiro)

- Hoje tem espetáculo? – Tem sim Senhor!

Senhoras e Senhores gargalhem na emoção!
O grande circo apresenta: o coração agonia.
Luzindo do hilário picadeiro da compaixão
Declama os versos na luz do amor à revelia.

Amada, ascendo ao picadeiro na força da paixão
Desta noite de redime em que zombo do trapézio.
Eu assomo entre as sombras do palhaço coração,
Por ti, cego de amor, dou cabriola no teu mistério.

Cá estou na selva erma da tua alma peregrina,
Sabes, penso em ti, quando teus olhos cediços
Espelham o luar no negrume da paixão ferina
Imersos nos risos desta platéia sob o teu feitiço...

Ai! Esculpindo a aurora deixo escapar as horas fugidias
Eu, o palhaço, meus olhos nos teus olhos, teu olhar finge!
Nos apupos desta platéia eu pinto o sete e na tua arrelia,
Neste circo, agora, o teu amor é facho que se extingue...

No estalar dos risos a lua desce em sulcos nesta lona rota
Sob a caricatura da liberdade que teu seio é navio negreiro,
Tendo meu coração acorrentado aos ferros. No tinir do gusa
Sendo escravo faço graça no céu embuçado do teu picadeiro.

Empalideço, tremo e me perco no teu peito de malabarista
De mãos frias no cristal macio. Então, desabo no azedume
Desta lua retraída reinando na sombra da noite equilibrista
E, em mim, este tempo de palhaço, murmúrios e queixumes.

Senhoras e Senhores riam e bradem comigo:

“O raio do sol suspende a lua
olha o palhaço no meio da rua”

O Sibarita
Assistam ao Porta Curta "A Sauna" Cliquem no Porta Curta Petrobrás, quando abrir a página cliquem em ASSISTA, ai começará o filme.
Boa diversão!
Ficção, CONTEÚDO ADULTO De Marco Abujamra 2003 15 min
Com Samir Abujamra, Bruce Gomlevsky, Expedito Barreira, Fernanda Bond, Thaís Tedesco, Pedro Gomlevsky, Yasmim Gomlevsky
Sexo, desejo e traição mudam completamente a vida de um jovem pai de família. Curta agora um dos campeões de audiência do Porta-Curtas!

sábado, agosto 25, 2007

VÊNUS

Vênus

Ninfa dos amores,
curvo-me ao teu corpo orvalhado
onde meus lábios se lambuzam
sugando-te o favo do pecado.

Minhas mãos passeiam,
é brisa... é ventania
percorrendo os teus pelos
e entranhas como gotículas
inocentes dos meus desejos.

Beijarei os teus róseos mamilos,
enquanto dedilho meus acordes,
onde, florescem as tuas penugem
em cor tênue de cobre polido.

Ó flor! Descerei ao teu tronco,
desabrochando tuas pétalas.
Delas, inalarei, o perfume
sorvendo da alquimia frenética,
toda a seiva do teu néctar...

Gazela!
Tu, apenas tu,
carne de cristal, úmida de gozos.
Sob as luas que sonhastes,
enlouquecida nos meus beijos covardes,
a noite borbulha os teus ardentes gritos,
não me mates, não me mates...

O Sibarita

Assistam ao Porta Curta "Eu te Darei o Céu" Cliquem no Porta Curta Petrobrás, quando abrir a página cliquem em ASSISTA, ai começará o filme. Boa diversão!
Ficção, CONTEÚDO ADULTO De Afonso Poyart 2005 17 min Com André Gonçalves, Nany di Lima. O que uma solteirona em mais um aniversário sozinha gostaria de ganhar das amigas? André Gonçalves embalado pra presente, é claro!


quinta-feira, agosto 23, 2007

AO CORAÇÃO IV

Ao Coração IV

Minha açucena o meu rosto perdeu as vivas cores
Vai se enrugando na palidez da lua sem a tua vida.
Nada me resta, pouco a pouco, foge o olor das flores
Na depressão deste anjo caído com tendência suicida...

Tu me dirás que siga o meu destino que tudo é finito.
Ver-te-ei novamente? Há adeus sob essa lua apagada?
Ai! O meu amor é um rio que deságua no teu infinito
Devastando-me o seio, o olhar, o sorriso, as palavras...

E precipita-se num poço sem fundo onde trafegam
Tuas eternas juras. O amor tem coração de vendaval
Assim sendo, a paixão, se despe e por fim, nua, rega
No horizonte: o tempo, a separação e o temporal...

Traga-me de volta na paixão o coração correspondido.
Pague eu em agonia a quem por meu destino e pecado
Submergiu por graça deste meu bem que hás concedido
A este amor, por este amor e, pelo amor do torturado...

Este que meus lábios ainda cantam por obra do vencido.
De arco e setas é profundo na sua morte crua e dolorosa
E, na minha alma, as taras são os nobres desejos traídos
Enxugando as lágrimas que escrevem a nossa história.

Entretanto, deixarei que a noite me leve pelas ruas,
Nos meus passos envelhecidos nessa solidão atroz.
Se a lua banha o caminho, a vida, sempre continua
Na felpa dourada da razão que se definha entre nós...

O Sibarita

Assistam ao Porta Curta "Eu te Darei o Céu" Cliquem no Porta Curta Petrobrás, quando abrir a página cliquem em ASSISTA, ai começará o filme. Boa diversão!
Ficção, CONTEÚDO ADULTO De Afonso Poyart 2005 17 min Com André Gonçalves,
Nany di Lima. O que uma solteirona em mais um aniversário sozinha gostaria de ganhar das amigas? André Gonçalves embalado pra presente, é claro!




segunda-feira, agosto 20, 2007

SONETO I

Soneto I

Meu bem, o meu escrever clareia o cinza que te aflige,
Minhas palavras rebuscadas são águas do regato coradas
No meu seio que falam o que os meus lábios não te dizem
E beijam o teu coração despindo-me todo de corpo e alma...

Nobres e ágeis são as palavras no frenesi da humilde pena
Que ao escrever sabe aonde vai ou aonde vou no renascer
Desse novo horizonte no azul que o teu coração faz a cena
Na paisagem da paixão em que a lua sempre virá nos ver...

Por vezes enigmático, romantizo, banho o teu coração de luz
E nem sabes nas entrelinhas das palavras que nasceram de ti
Ecoando o sol da paixão que na distância soldamos os azuis!

As palavras à doçura embalam... O falar, a garganta engasga
O céu que germina do meu peito. Entretanto, o que palpita
Nos meus lábios são tintas sem cores ou cheiros, tão vagas...

O Sibarita
Caros leitores, hoje, o curta metragem é "ÁTIMO" um filme de amor da melhor qualidade. É só clicar no Porta Curta Petrobrás que está do lado direito. Depois que abrir uma nova página cliquem em ASSISTIR. Pronto, bom filme!
"Um amor que vence o tempo e a distância, desafiando até a força da História. Se você ainda sente falta de uma antiga paixão ou da saudosa Mayara Magri, emocione-se conosco!"

quinta-feira, agosto 16, 2007

ELIPSE

Elipse

Faço o meu barco, parto, sigo o teu rumo... Disfarço
Sob o céu de bronze e nuvens carregadas na paragem
Desta ventania que o teu coração não diz... Amordaço
As velas desatando as amarras no cinza tempestade...

E, no galope desse mar azul sofrido, rosnam os remos
Desnudando o céu navegador, alinhado na luz do luar.
Entretanto, curvo as noites no vácuo do teu silêncio
Procuro, então, vestígios e me escondo no teu olhar...

Mas sei, a dor cairá como a muralha do teu coração.
Maldito seja o teu perfume a perdurar naquelas flores
Ainda embriagadas na tua primavera... É, na inanição
Do teu amor mortifico as sementes dos teus rumores...

Na dor, rompo o teu silêncio e resgato as tuas palavras
Esquecidas de mim... Mas, mando-te notícias turvadas...
Quando as portas se abrem no sino dessa paixão escrava
Meus sentidos ressoam sobre flores mortas, debruadas...

Mas, na luz do azul que degela o amor cintilam elípticas
Palavras que o meu coração modula à freqüência do arfar
E a lua, magra, longa desaba no luto da noite... Na relíquia
Dos desejos, me ergo, balanço, caio, me jogo do teu olhar...

O Sibarita

Caro Leitor, agora, você pode assistir filmes curta metragem sem sair do Sibarita. É só clicar no Porta Filme Petrobrás que abrirá um link, nele clique assistir, pronto, ai começará o filme. Filme dessa semana: "MORANGO COM LIMÃO"
Também está disponibilizado o Portal UOL de Filmes.

Bom Proveito!

quarta-feira, agosto 15, 2007

DEMÔNIA

Demônia

Na nudez das manhãs, do teu olhar exilado
Vejo o mar na cor dos verdes olhos, concordo!
E do teu coração ao continente do amor navegado
No mapa da paixão, abro as velas! Ufa! A bordo...

Enigma originado estendo-me em tua alfombra.
A nudez do horizonte acende o pavio... Demônia
Andas, à noite, vasculhando meus sonhos, Inflamas
Céus, luas, estrelas e a paixão no fogaréu da insônia...

Oh! Alma fresca, o coração em chamas, te chama!
O fervor ao sabor do teu rubro vinho, o fogo avança
De um incêndio ao outro incêndio... E, no compêndio
Deste teu poema, a palavra é desejo! O querer se lança...

E como chama dos santelmos, hei de encontrar-te açucena
Já me tens preso na íris dos teus olhos em que busco o estio!
Vou pela porta aberta desta primavera soberba e serena
No entanto, julgo-te lua nas fases do teu olhar ao azul anil...

Coração aos ferros, bronze florentino esculpindo a madona,
Enquanto, em um canto qualquer do meu quarto, desbotados
Jarros chineses voltam ganhar vida na luz dos olhos de Jônia
Ai! Teu coração veste o nu da estátua, a lua ri no meu espelho!

O Sibarita

quinta-feira, agosto 09, 2007

NADA ALÉM...

Nada Além..

Nada sei além desta janela
aberta diante do meu olhar.
É a maré, é a maré!
Lixos e ratos
estampados no horizonte
de urubus circundando
pelo céu sob a réstia
do sol alumiando meus olhos
perdidos no escarcéu.
Olhando da janela
a visão é ciclope
e me remete
à infância na maré.
As rajadas no azul cinza
de moribundos dias
não esquecidos.
Quebrantava-se o dia...
Era a vida!
Miríade de sonhos
na misantropia
dourando barrigas de lombrigas
sucumbindo pela anemia...

Nada além...
A fome e o lixo!
Das flores,
apenas, o resquício.

O Sibarita

segunda-feira, agosto 06, 2007

RELEMBRAS COMIGO...

Relembras Comigo...

O vento cortava o frio da noite o teu corpo colado ao meu peito!
No horizonte, a lua, calma e divina aclarava o teu jeito brejeiro,
No ar, exalava o teu cheiro campestre de jasmim e sobre o leito
O teu corpo palpitava estremecido na ardência dos meus beijos.

Os teus seios virgens, faróis acesos, os meus lábios banhavam de amor,
Teu belo porte de mulher descortinou ante o meu desejo que te acolheu.
Em êxtase, os teus olhos reviravam nos suspiros a noite nascida em flor
Invadindo o teu castelo de volúpias em que a lua enciumada se rendeu...

As tuas mãos como a brisa acariciavam o meu corpo em anseio fecundo
Das carícias inocentes que eu me entregava aos teus caprichos profanos.
Era o amor na sua plenitude mostrando no que existe de bom e profundo,
Sob o alado galopante de todos os encantos guardados nos teus arcanos...

Ai! Os teus segredos na luxúria do amor se entregaram sem razão,
Que razão é coisa dos amantes banais! Em desejo, passo, ante, passo
Sereia do meu norte incondicional, eu sob o rogo da desmistificação
Penetrava por tua fenda negra na procura dos teus orgasmos intactos...

A tua nudez dourada era teia me prendendo e na sanha me devorando!
Da tua fome deixando correr a lubricidade de todos os anseios, o ápice,
Refletia nos nossos espasmos toda vinha dos gozos sem fim e, ecoando
Sob os lençóis caímos de boca a boca como se fosse o primeiro cálice...

Mas, hoje, o que sois para mim? Imagem absorta como o teu próprio amor!
Sonho-te, despindo-a lentamente em pura brisa. A vontade se despe firme,
Finalmente nua, desenho-te, penetro por teu olhar atrás da tua alma, na dor
A acorrentarei aos ferros na estaca dos desejos do meu pensamento livre...

O Sibarita