terça-feira, maio 19, 2015

DO QUERER!





Do querer!

Minha fina flor! Da natureza, das coisas, do sexo,
Extraio a tua ferocidade e contorno o palavreado.
Na claridade das auroras, encanto e céu de afeto,
Apresento-me à aragem do teu coração, avexado...

Os imos que se encaixam e se abrem, se ajustam,
Colhem a paixão e adequam os desejos na finura.
Das quimeras espreitando, as vontades insuflam,
Na perspicaz versão, situando, à concreta leitura...

Ó estrela que o amor convida e acende ao tempo,
Quem te dirá das palavras essenciais que não eu?
Dos confins do fogo incondicional, visível intento,
Há quanto esperas, assim, o amor no que sou teu?

Cordial dona, como vai longe à aurora no teu olhar,
Dizes! Quem sabe do amor, não sem razão implora.
Na vontade, ao longe, que em brilho acende o amar,
Em festões, à noite cintilando dos luares, enflora...

Buques de flores e o céu azul debruçados na estação,
A primavera brota à luz do sol, em teus olhos se atira.
Nos dias abissais do amor, o desejo brilha em clarão,
É que no teu corpo em flor, o perfume pulsa, inspira...

O Sibarita

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segunda-feira, maio 04, 2015

AO CORAÇÃO

Ao Coração

Minha açucena o meu rosto perdeu as vivas cores
Vai se enrugando na palidez da lua sem a tua vida.
Nada me resta, pouco a pouco, foge o olor das flores
Na depressão deste anjo caído com tendência suicida...

Tu me dirás que siga o meu destino que tudo é finito.
Ver-te-ei novamente? Há adeus sob essa lua apagada?
Ai! O meu amor é um rio que deságua no teu infinito
Devastando-me o seio, o olhar, o sorriso, as palavras...

E precipita-se num poço sem fundo onde trafegam
Tuas eternas juras. O amor tem coração de vendaval
Assim sendo, a paixão, se despe e por fim, nua, rega
No horizonte: o tempo, a separação e o temporal...

Traga-me de volta na paixão o coração correspondido.
Pague eu em agonia a quem por meu destino e pecado
Submergiu por graça deste meu bem que hás concedido
A este amor, por este amor e, pelo amor do torturado...

Este que meus lábios ainda cantam por obra do vencido.
De arco e setas é profundo na sua morte crua e dolorosa
E, na minha alma, as taras são os nobres desejos traídos
Enxugando as lágrimas que escrevem a nossa história.

Entretanto, deixarei que a noite me leve pelas ruas,
Nos meus passos envelhecidos nessa solidão atroz.
Se a lua banha o caminho, a vida, sempre continua
Na felpa dourada da razão que se definha entre nós...

O Sibarita

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sexta-feira, maio 01, 2015

PRIMEIRO DE MAIO!

Jauá praia.

Primeiro de Maio!

A dona Dulce.

Aniversariante também deste maio primeiro
É minha mãe, desencarnada há anos. A ela todas as orações!
Envio-te vibrações! Saudade imensa e tão permanente
Nas lágrimas caindo –uma a uma- no mar de Jauá!

Omodeu! Sim, hoje! Maio, primeiro.
O sol inabalável nos flancos, um céu
Com franjinhas de luar, eu o arteiro
No cântico da alma, doce como mel...

Pela candeia da nova idade o luzeiro,
O Kardecismo,  o amor, a fé, ô glória!
Os sonhos acendem a vigor por inteiro,
E debruçam-se no prólogo das auroras...

Os vocábulos, limiar das confidências,
Sutileza dos versos em jarro de flores.
Infinito das vontades, clara evidência,
Dorso oculto, santuário dos amores...

O imo não é porta das emoções vagas,
Plenitude é o sentimento que me sacia.
Revelando-se na sede, na fome e afaga
Meus anos, flor do amor, tu és poesia...

Mas, as lágrimas caem neste primeiro,
Uma a uma em Jauá e no firmamento
Brilha a dona Dulce há tantos janeiros,
Minha mãe, sagração de anjo, alento...

 O Sibarita


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quarta-feira, abril 22, 2015

ASSIM...

Assim...

Quem contém a força vã que nos abafa o pensamento?
Se não, desejos que nos acendem em chamas e tochas,
À margem de um penhasco extraído das nossas rochas,
Em consenso com o céu no que dizes sem argumentos...

Mas, tudo o que brada e ruge é paixão, é fúria e alente,
Fronteiras das confidências, infinito íntimo aos luares.
Os gemidos e instintos navegam e ecoam pelos mares,
E no cais do teu peito: o amor, a minha brisa à frente...

Cultivadas pelos flancos, a aragem é suprema, é letal,
Mas, sabe meu amor? Estou, assim, cheio de assuntos.
O carinho a mil e o imo pulsando em desejos adjuntos,
Confidente, harmônico e refugiado no teu olhar fatal...

A fresca soprando em sua direção ao coração ascende,
Manifestando-se lascivamente pela sede ou pela fome.
O amor manhoso e alucinante, sibilando nos consome,
E por nós, essa paixão aportando, o fetiche se rende...

Em ais, em volúpias a essência tropical do céu lá fora,
Onde, amor e paixão dialogam nas vontades perenes.
Alvor e sol em teu coração nos dardos do amor indene
Sob a luz das noites em teus olhos daquele luar agora...

O Sibarita

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quinta-feira, abril 09, 2015

EPÍSTOLA

Epístola

Dengo, a noite foi feita para se namorar e se vigiar,
Assim, vigio e namoro! Sentimental: amo e escrevo.
Já está escrito sobre nós nas estrelas e o verbo amar
Conjugado mesmo em noites de charadas e desejos...

E, sobre as laudas abertas descem os assuntos raros,
O poeta em sua agonia afetiva respira as expressões:
Das carícias à volúpia e das coisas em cabal desvairo,
Extraindo a ferocidade das epístolas em confissões...

Adjacência das escritas, o delírio no céu das facetas,
Os labirintos íntimos, melodias, conceitos e luagem,
Contrapõe ás galáxias profetizadas que foste à eleita,
Ressaltam os vocábulos na meiguice das paisagens...

Nas confissões ocultas, saturadas, úmidas de desejos,
Disparam os contextos sobre a folha aberta da paixão
E escrevem em letras de chamas no alto do azul aceso
Cheio de estrelas e de luas sazonadas no meu coração...

E agora amor? Confessando-se, dispara-se o contexto,
Trocando as letras de seu próprio ansiar sem ressalvas.
O amor, o contorno da linguagem no que eu me avexo,
Ao que temos em comum, basta o respiro das palavras...

O Sibarita

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segunda-feira, março 30, 2015

OUTONAL

Outonal

Filha da lua, duquesa dos corais, assim, intensa,
O teu amor se ergue no fogo, abrasadas chamas.
E caminha, passo a passo, na querência imensa,
Adubagem do coração, delíquios do que se ama...

Cobiça em coma no tempo ocaso a se precipitar,
Palpo a quimera dos teus olhares tão distraídos.
Estação outono sob os céus dos amores a sonhar,
Tombam as folhas outonais em chão de destinos...

Arma e desarma, porventura, céus pelos avessos,
O amor recria um amor, logo deixado pelo amor,
Entre as certezas do outono batendo no teu peito...

Nas estações iguais e iguais que ao amor inspiro.
A brisa, consorte do mar, frescor do teu coração,
É aragem, ar fresco, a essência do que te respiro...

O Sibarita

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segunda-feira, março 16, 2015

FULANINHA


Fulaninha

Fulaninha sem escopo, céu de pedra, céu feroz,
Observando teus arcabouços que o luar envolve,
A luminosidade dos teus passos e dentro de nós
O abismo bate palmas, a noite aponta o revolver...

Ô buquê de flores decaídas que ao amor injurias,
Pela fragrância dos céus cinza, extinta flor eu vi!
Murcha, apagada em desmaios, é seca e sombria,
Sem cor, esmaecida, regada ao ódio e quer florir...

Teu olhar há tardes outonais amarelando os dias
E há desejos e abismos, despenhadeiros e ciladas.
Mas há também belas primaveras em tua agonia,
Flores viçosas e em ti, nenhuma flor fecundada...

Ô penacho de alma esquálida em nudez essencial
Observai os cascos, trote das estrelas, sabotagem!
Vens nos ventos do mar com a brisa e um punhal
Afogando a vida, rotação, adorno da tua imagem...

Em ti há sempre estações de rochas, sem coração,
Balzaquiana, prata nos cabelos e chumbo nos pés!
Os passos lentos pelo tempo, revoltada sem razão,
Maria vai com as outras, desabam flores dos céus...


O Sibarita

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quarta-feira, março 11, 2015

ARTÊMIS

Artêmis

Do amor em que flutua sobre o viço,
A minha paixão sempre é renovada.
Curvo-me a ti, me entrego submisso
Aos teus caprichos de mulher e fada...

E no chamado do sol já me respondes,
O carmim dos teus lábios vai sorvendo
Meus beijos, onde, a chama se esconde
Na aura do teu sorriso amanhecendo...

Tu vens na delícia de um céu suspiroso,
Céu de vontades, por ti, os céus inteiros.
O amor aqui exulta ao tempo frondoso,
Quanto mais te vejo, mais eu te desejo...

No teu olhar essa Artêmis transloucada,
Em luas de cópulas que acariciam o mar
Cintilando as delícias num leito. Amada,
O que se gira no amor vem em nós aluar...

A lua molhada se apresenta em domicílio
E nos teus braços com o direito venturoso.
Sendo o combustível do amor em rastilho,
A noite aponta delícias, bate palma o gozo...

Mesmo quando ora te fechas, ora te rasgas,
Eu escuto o teu corpo que canta os desejos.
O amor vai amar...  Já amando, se declara,
Teus lábios: polpa de cajá, sabor dos beijos...

O Sibarita

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