O 57...Ai meu Deus do Céu! Nesse maio, primeiro...
É meu aniversário! Eu, sereno, esquivo, leve
E tão silente, singro num céu de brigadeiro
Sob a lua espantando o atro ocaso do tédio.
Ondas e ventos se calam e a noite e o mar
Murmuram na lua minguante da solidão...
Sou sol crescente da luz de prata de Jauá
Onde, me contorço, em plena inflexão...
Do homem que chega aos cinqüenta e sete
Na febre sã da aurora na curva em gráfico
Desenhando uma queda de alcance longo
Nos passos elípticos desses anos ou átimo.
O crepúsculo espelha sol e lua nos francos
Corre o tempo voraz, segue, no teu tropel...
Marcha sem fim a rodar aprumos e prantos
Nas horas correndo. Ó diversão doida e cruel.
Tão menos que a silhueta. O tempo é avaria
É um poente em cinza e laivos de amaranto
Vindo na imagem branda e esquiva dos dias
De olhos vítreos na esquina dos meus anos.
Oh, Deus! A fúria do jovem que já houve, não há mais,
A vida sucumbe nos instantes que passa e nada reverte.
A morte em seu palor... O que ontem foi hoje é jamais.
Evoé! Não me entrego, caio na gandaia e pinto o sete!
No fundo das coisas idas montado nos aprumos
No bojo das horas densas mago dos ventos serei
E desse tempo breve e paladino dos meus rumos
Do meu destino como um legado de desejos, rei.
Signo de touro sou sol da manhã e lua nova,
Aos que quiserem me ouvir: Ah, vem comigo...
Que nesta data o espírito renasce e se renova
Nos abraços de todas amigas e todos os amigos.
E comigo: o meu pai, meus filhos e os meus irmãos
As sereias do mar, da terra e todas as sereias do céu.
E comigo: a noite, a lua e a musa em um só coração
No aroma e desejos dos nossos corpos largados ao léu...
O Sibarita







