domingo, novembro 10, 2013

PARA LHE TER AQUI!


Aê Zé Lalado,
a excelente apresentação de Saulo Fernandes com a
música Raiz de Todo Bem, a letra, seu Lalado é demais!
Curta a nova música de Saulo Fernandes, se ligue na excepcional letra!
Desligue a Rádio Humaitá ao lado.
 
Para lhe ter aqui!

  Ô mainha, você já está indo, é? Desalmada,
Assim, mata-me de tédio nesses dias indolor.
Maravilhosa e toda poderosa, Cíntia abrasada
Em meio aos desejos na subversão do amor...
 
Tô de espinhela caída no gume afiado do imo.
Tenho fome, não me deixe morrer na alegoria
Dos desejos, fragrância do seu corpo, eu rimo:
Flor e amor na mistura das nossas fantasias...
 
Venha ao meu amor, onde, apesar da distância,
Já que amante me revelo no que de você respiro.
Navego o pensamento nas águas da constância
Vejo-me no fogo, nas chamas dos seus suspiros...
  
Nigrinha, tá Rebocado, você é quentura, é flama,
Alumiando meus desbocados desejos sem deter.
O que vai ao aforismo na horizontal da sua cama,
Ô gostosa, venha às delícias do meu bem querer...
 
  Por você, bato o atabaque, louvo o céu dos céus.
Numa encruzilha: um despacho e clamo ao azul.
Boto o ebó: mel, alfazema e sua foto sem véus,
Assim, você virá sem arengas no lume de Exú!
  
Mando o meu patuá e três dentes de alho macho
Para fechar seu corpo do precipício que eu lhe vi.
Mas, vem me regar mãe na lucidez deste desato,
Que viajo ao seu pensamento para lhe ter aqui...
  
Zé Lalado
 
BAIANÊS:
 
Mainha – Mulher que quer bem, que quer conquistar, que quer fazer amor.
Desalmada – Mulher sem coração, sem amor.
Tô de espinhela caída – Estou com muito amor, apaixonado.
Gume afiado do imo – Fio, corte amolado do coração.
Tenho fome – Tenho desejo, muito desejo.
Não me deixe morrer na alegoria – Não me deixe morrer na expectativa.
Fantasias – Vários desejos no amor, jogo do amor.
Nigrinha – Mulher que sabe tudo do amor, sacana na cama.
Tá rebocado – Faça fé, acredite.
Você é quentura – Você é muito gostosa.
Atabaque – Instrumento de percussão do Candomblé (tambor)
Encruzilha – Encruzilhada
Despacho – Feitiço, Ebó, comida para os Orixás para se obter uma graça.
Ebó – Despacho.
Exú – Orixá, dono das esquinas, ruas e encruzilhadas, nada se coloca nas ruas sem o seu consentimento.
Patuá – Amuleto usado no Candomblé para fechar o corpo.
Três dentes de alho macho – Amuleto para se livrar dos maus olhos.
 
Zé Lalado.
 
 

quarta-feira, outubro 30, 2013

INFINITO ÍNTIMO

Infinito íntimo
 
O infinito íntimo. Sim! Dá para entender
Nele, admiração e desejos em processão,
Círculo imaginário, masturbação, querer
Na virtualidade, a profundeza da paixão...
 
Jogo de espelhos, reflexo do céu aqui e aí,
O vento brincando e mexendo no teu olhar
Sagração dos céus, primavera de jasmim
O que ruge ou brada, vontade de se estar...
 
Lado a lado na fronteira dos sentimentos
Prelúdio, átrio das expressões inerentes.
Ao amor germinado no sopro dos ventos
E espargidos nas confissões adjacentes...
 
De nós em palavras ditas no ar rarefeito,
O sublime do amor que agonia o coração,
Serpente sutil que dilacera o nosso peito
E se alimenta de saudade, bílis e solidão...
 
Mas, as harpas dos dias vibram afetuosas,
O que floresce candeia a noite que respiro
E o poeta abre as suas poesias amorosas
Nelas, nossas vontades e nossos suspiros...
 
O Sibarita

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quarta-feira, outubro 23, 2013

LOUVOR

Louvor
 
São teus, ó desejo, estes prodígios do coração,
Este alarido, este prazer que agita. Estremeço,
Ao sol barroco do teu olhar cheio de tentação,
Não sei se é amor. Mas, quem sabe, o começo...
 
Os dias, passo assim e sempre nos teus beijos
Lembrados nos anseios, a libido ascende louca.
Mas, demoro o olhar nos faróis dos teus seios.
Delícias, fogo aceso, pervertido na minha boca...
 
Radiograficamente, pelo teu silêncio, a fome
Com a força do sol, para abraçar-te, beijar-te.
Sobre os avessos de nós, o sentido consome.
Pelo cutelo, o amor, a aspiração de amar-te...
 
Ruas dos desejos floridas, e sente-se a chuva
Molhando, brotando no coração e desejarás.
A carruagem do amor há pouco virou a curva
Da esquina, breve em paixão serei, e tu serás...
 
Vem, lua dos milênios, abrasadora, amada
Beirando o cais do coração neste alfarrábio
Que fala de amores, enquanto, tu alheada,
O salmo de louvor faz seca nos teus lábios...
 
O Sibarita

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quarta-feira, outubro 16, 2013

CHARADA

Charada
 
 Que o amor à forma fecunde os momentos,
A promessa enfeita, rejeita o céu amoroso.
Nesse vago, presente e futuro viram templo,
Ao coração, a vida cinde o ar seco e poroso...

Nada se explica aos versos polidos no vazio,
Soltos, suspensos em réstia de tempestade
Naquelas enormes nuvens sob um céu frio
Congelando a nossa essência na intensidade...

Assim, corta a razão, a volúpia esvai pelo viés,
E por ti, os versos se perdoam, beijam o chão
Dos teus pés louvando! Tu que me és e não és
Charada galopada no tédio, paraíso e solidão...

Se é assim que és: nas igrejas e terreiros da Bahia
De joelhos: acendo as velas, oro a Orixás e Santos.
Ao teu amor fecundo, a candeia, é chama tão fria
Para os acesos desejos dos nossos entre tantos...

Mas, no delírio, saborear o mel do rosa da tua boca
E por entre sede, trovoadas e punhais das antíteses
Ser a cobiça dos teus lábios carmim na agonia louca
Do faz de contas das delicias e viajar na maionese...

Na tua penteadeira:
Espelhos temporais,
flores debruadas
em jarros chineses
do Paraguai!
Na tua cama:
nenhum eco
dos nossos uis e ais...

O Sibarita



terça-feira, outubro 08, 2013

QUERÊNCIA

Querência
 
Ó amores virtuais que residem no teu olhar,
Lá vai o amor e vem na procura da acolhida.
Onde, esperas o fogo, não sei se isso é amar,
Mas sei que em ti eu morro até que decidas...
 
Sempre ti escrevi versos românticos na sanha,
Brilho intensivo que te enerva, que te acende
E como fogo, é para incendiar-te as entranhas,
Lumaréu de vontades, arquejos ao teu ventre...
 
Apogeu, facho de querências, teu fruto aceso,
Bel-prazeres, fusão de corpos e almas! Amada,
O melhor do querer é que somos todo almejo,
Teu corpo, o meu: luz de nossas madrugadas...
 
Ao longe, o afloramento dos pensamentos, brilha.
Tu e eu. Eu e tu em conexões solitárias nos avexo,
Noites de algum deus devasso e que nos fervilha
Sei que é amor. Mas dizes: Será talvez (re)começo...
 
Ó coração incendiário! Fazei tudo à luz da paixão,
Soldo concreto e abstrato pelo queixume contigo.
No enreda e desenreda em que arritmias a razão,
Perde-se em alguma dor na busca de um abrigo...
 
O Sibarita
 
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terça-feira, outubro 01, 2013

FRONTEIRA


Fronteira
 
Ah, os meus olhos se douram de puro ouro.
Tu flamejas, é sol e charada diuturnamente
Brotando luzes nos meus espelhos de alente,
Reflexo do meu coração no que és tesouro...
 
A sede das tuas palavras estremece em flor
Pétalas e olor adentram, abancam entalhes.
Borbotões de afeto percorrem a tua imagem
Em mim: a vida és tu, a primavera, o amor...
 
Desaguando no abissal dos desejares e ânsias,
Golfos das cobiças, coisas acesas no meu olhar
A procura da tua essência no infinito do amar,
Se não vens ou não vou, ficamos nas distâncias...
 
Tudo explode! Explode o amor, explode amiúde.
Queremos alguma coisa ou não queremos nada?
Sempre quem ama terá fome e sede desnudada
À estação, fronteira transcendida de plenitudes...
 
Orgia camuflada no teu olhar, chiliques, querença
Dos teus lábios morenos, gráceis, sabor de amora,
Pelo desejo que acalora o pretexto, em nós, enflora.
-O delíquio amoroso dos versos, palavras pretensas...
 
 O Sibarita
 
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segunda-feira, setembro 23, 2013

GARDÊNIA

 Gardênia
 Como chama, brilha o amor, fogo-de-santelmo,
Ionização do peito, campo eletroluminescente.
Pelo secreto desejo, o coração quão confidente
É led, display, luz azulada e sintonia fina, relvo...
 
Sei que é amor e sempre procuro no teu olhar
O irrevocável, incondicional, o assim distendido
E a despeito disso, creia! Não sei se te idealizo,
Mas, sei que estremeço no teu jeito de sonhar...
 
É que para ti sempre faço os versos românticos
Logados ao teu imo amante em busca de abrigo
Onde, tu me fosses ditosa e eu o ditoso contigo,
Sem medos, a nossa essência fosse um cântico...
 
Não sei se diante ao desejo o estribilho é refrão
Amoroso declamando perdidamente à amada
Que o amor abrolha das primaveras orvalhadas
Timonando os avessos na exaltação do coração.
 
Teu corpo amor na cor de jambo dos teus seios
Lírios, lírios delicados que me provocam, enfim,
Bebo o mesmo canto da tua estação tão assim
Aderente às flores, aos pássaros e aos gorjeios...
 
A doce brisa arrebata, o vento te desfolha, vem!
De algum jeito: De rosa bravia, de sorriso meigo
Espalhando a felicidade em céus de aconchegos.
Alma de gardênia, por que te ocultas meu bem?
 
O Sibarita

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segunda-feira, setembro 16, 2013

N O I T E...

Noite...
 
 “Je vous aime tous les jours”
 
É noite...  E uma volúpia a escaldar a lua
Em afetuosa descida ao meu leito, tu ali
Nos meus espelhos pendentes toda nua
Querendo sentir-me como sempre te vi...
  
Ao meu lado deitada em lúbricos ensaios
Dos beijos aos beijos lambuzados de mel.
Sugado por tua boca orgia eu me esvaio
No teu corpo de fogo em noite de bordel...
 
À meia luz o abajur clareando no compêndio
Os teus seios quentes, travessos e traquinos,
Faíscam, violam a noite, provocam incêndio...
 
Fogaréu voluptuoso da minha boca lasciva,
Peripécias e os desejos crepitando no leito.
Inspiração abrasadora, o teu nome é diva...

O Sibarita

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