sexta-feira, abril 01, 2016

ABSTRATO

Abstrato

Meu bem, sim, sei, te mando notícias
Requentadas nestes versos tão carentes
Que por certo e por tudo são relíquias
Pelo olhar absorvido das tuas lentes...

É que caminho mesmo na monotonia
Dos passos e outras receitas do amor
Em mutações na variação das agonias
A cada verso brotado como dor/flor...

Não sei olhar as coisas do teu presente
E assim, sigo e refaço o que já está feito
Ruminando desta temporada iminente
Em que só sei escrever a teu respeito...

E sobre faíscas/carícias dos meus alheios.
Estes são apenas os meus singulares temas
Como sol novo e céu azul dos teus esteios
Reinventando palavras cruas deste poema...

Mas, amor, há quanto tu desafias o tempo
Quando a noite chega e a luz do luar é fria?
Há quanto esperas o fim do mesmo tempo?
Choque de negror, o amor rediz o que dizia...

O Sibarita

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sexta-feira, março 18, 2016

BRISEIDA, AFRODITE...

Briseida, Afrodite...

Roubo-te os lábios, neles, me afogarei no favo de mel
Sorvendo os desejos aflorados dessas tuas labaredas
E tua pele aprenderá da minha: aroma e maciez e céus
Num leito onde se entregaram todas as tuas deusas...

Da tua vontade dormirás comigo incendiada no amor
Sim, virás: é um leito de rosas com lençóis de jasmim
Ao qual moldaremos a toda forma dos nossos corpos
No sol das auroras brotadas dos céus de mim e de ti.

Assim, no que se revelará nascerão noites encantadas
Em reflexo num espelho de fundo, quarto em chamas
No Sussurro aos teus ouvidos na lascívia das palavras...

Haverá volúpias convergidas, excitadas em plena cena
Quando se entregares aflorando todas as tuas fêmeas
Evoé deusas! Penélope, Afrodite, Briseida, Madalena...

O Sibarita

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domingo, fevereiro 07, 2016

É CARNAVAL!


Já é Carnaval...

Ah, tá rebocado minha Iaiá, já é carnaval na cidade.
Do Campo Grande à Ondina o coro come na Bahia!
Transmuto-me ao profano das moças na liberalidade
Dos ensejos aflorados... Ai meu Deus! É só alegria...

Evoé, no coração daquela menina de abadá do camaleão
Coloco o meu manto de Sibarita, estou livre, leve e solto.
Sobre os teus seios de deusa os meus olhos de navegação,
Vixe mainha! Embarco, caio na gandaia e mostro o rosto.

No fogo do querer, atiro-me nas chamas, entro em cena
Deito e rolo, embolo e me entrego na cobiça desta folia.
Nas fronteiras do infinito: Eu, o luar e a moça obscena
Balançando o chão da Avenida na plenitude das orgias.

Ah, os teus beijos, fogo dos demônios ao som da Chiclete.
Gemidos, tremores e eu sorvendo dos teus lábios o aroma
Dos desejos e, no meio da multidão, vamos pintando o sete
Rolando pelas ruas desta cidade na vertigem de Sodoma!

E vamos nós, circuito Barra/Ondina, é como o diabo gosta.
Ah, eu sinto os gozos jorrarem nas chamas deste carnaval,
Ai! Na delicia o céu que nos cobre brota uma lua em tochas.
Valha-nos Deus! Como o mundo fútil no olor deste bacanal!

O Sibarita

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segunda-feira, fevereiro 01, 2016

SALVE 02 DE FEVEREIRO, IEMANJÁ!

Caro leitor ouça a música hino a Iemanjá "É DE OXUM" composição:
Geronimo Santana e Vevé Calazans, cantada pelos próprios.
Desliguem a Rádio Humaitá ao lado.

IEMANJÁ

Ô Fia, tô no Rio Vermelho, é festa da dona do mar,
Fiz pedidos e por aforismo os seus também, Alodê!
Vaidosa, poderosa, dona das cabeças, salve Iemanjá!
Com os presentes no barco, mando beijos para ôce...

Preta, estou de espinhela caída na nata dos desejos,
O sincretismo religioso da festa de Iemanjá, fogaréu.
Nos meus patuás e minhas vestes brancas, o ensejo,
Toques dos atabaques repicam quereres no azul céu...

Ô nega da alma fresca, cheia de assuntos, toda petitosa.
Aqui, o sol do Rio Vermelho se refresca no mar, Odoyá!
Ouriçadíssimas vontades plenas neste aromal de rosas
Arqueja a bem aventurança aos filhos (as) de Iemanjá...

Mar de almirante e nele a fé, os pedidos, os presentes,
Vejo, participo de perto a colossal procissão dos barcos.
A moça que mora no mar é vaidosa, amorosa, no alente,
Não faz distinção, tudo é uma coisa só, o pobre, o farto...

Nos teus cabelos tem o céu com muitas luas iluminando,
Olhos consoladores, espelho de todo bem, diva do amor!
A essência! Além dos mares, além dos rios, dos oceanos,
Odoyá, Iemanjá! Com a candeia nas mãos, Ora yê yê ô!

Neguinha, estou com os poros à flor do desejo que afoga,
Os desejos mundanos nos olhos daquela moça inocente.
Ao tudo da sedução, fogueira, em que o amor venal roga.
No aqui da festa de Iemanjá em que sou muito serpente...

O Sibarita

BAIANÊS

Ô Fia – Ô menina.
Tô – Estou.
Rio Vermelho – O bairro mais boêmio de Salvador, onde é feita a festa de Iemanjá.
Ôce – Você
Preta – Carinhosamente chamando uma mulher.
Estou de espinhela caída – Estou pasmo.
Patuás –  Amuleto da sorte.
Ô nega – Carinhosamente chamando uma mulher.
Alma fresca – Jovial, jovem.
Cheia de assuntos – Mulher que conversa muito, tem muita conversa.
Toda petitosa – Toda gostosa.
Aromal de rosas – Perfume de rosas.
Mar de Almirante – Mar sereno, calmo para navegar.
A moça que mora no mar – Iemanjá.
Neguinha – Amorosamente chamando uma mulher.
Moça inocente – Mulher da vida, mundana.
Muito serpente – Muito desejoso.

O Sibarita

SOBRE IEMANJÁ

Iemanjá, Orixá feminino (divindade africana) do Candomblé e Umbanda. O seu nome tem origem nos termos do idioma Yorubá “Yèyé omo ejá”, que significam “Mãe cujos filhos são como peixes”.

Mãe-d'água dos Iorubatanos no Daomé, orixá fluvial africano passou a marítimo no Norte do Brasil.

No Brasil, a deusa Iemanjá recebe diferentes nomes, dentre eles: Dandalunda, Inaé, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Sereia do Mar, etc.

Iemanjá é a padroeira dos pescadores. É ela quem decide o destino de todos aqueles que entram no mar. Também é considerada como a “Afrodite brasileira”, a deusa do amor a quem recorrem os apaixonados em casos de desafetos amorosos.

No dia 2 de fevereiro acontece em Salvador, capital do Estado da Bahia, a maior festa popular dedicada a Iemanjá. Neste dia, milhares de pessoas trajadas de branco fazem uma procissão até ao templo de Iemanjá, localizado na praia do Rio Vermelho, onde deixam os presentes que vão encher os barcos que os levam para o mar.

No Rio de Janeiro as festas em honra de Iemanjá estão relacionadas com a passagem de ano.

Nos candomblés fiéis às origens africanas, o culto é prestado em locais fechados, nos atuais o culto é ao ar livre, prestado no mar e nas lagoas, sendo Iemanjá muitas vezes representada como sereia.
Os devotos levam para o mar vários presentes que são tidos como recusados quando não afundam ou quando são devolvidos à praia.

Dentre as diversas oferendas para a bela e vaidosa deusa, encontram-se flores, bijuterias, vidros de perfumes, sabonetes, espelhos e comidas. O ritual se repete em outras praias do Brasil.

As celebrações a Iemanjá também acontecem em 15 de agosto, 8 de dezembro e 31 de dezembro.

IEMANJÁ E MÚSICA
Existem várias músicas que são feitas em homenagem a Iemanjá. Exemplo disso é a música "Iemanjá" do grupo musical Chimarruts, uma banda de reggae do Rio Grande do Sul.

IEMANJÁ E SINCRETISMO
No sincretismo religioso, Iemanjá corresponde a Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria.


quinta-feira, janeiro 14, 2016

A LAVAGEM DO BONFIM

LAVAGEM DO BONFIM
(Desligue a rádio Humaitá ao lado para ouvir o Hino ao Senhor do Bonfim)
A procissão de Nosso Senhor do Bonfim e lavagem das escadarias da Igreja é considerada a mais importante das comemorações de largo de Salvador. O cortejo acontece na segunda quinta-feira após o dia de Reis (6 de janeiro). E os festejos religiosos (novena) encerram no domingo após a lavagem. Fogos de artifícios anunciam o início da procissão. O cortejo tem a presença de baianas e fiéis que caminham desde a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia até o adro do Bonfim. No percurso, as baianas carregam água de cheiro, jarros de flores e vassouras. Carroças enfeitadas conduzem os devotos em um percurso de aproximadamente 8 quilômetros. Milhares de pessoas vestem-se de branco para acompanhar o cortejo, em busca de proteção do Santo e das águas perfumadas. Ao chegar, as baianas lavam as escadarias e o adro da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim com água perfumada e jorram a água sobre as cabeças de pessoas que buscam neste banho a purificação do corpo e da alma. Durante o resto do dia muitas pessoas continuam se dirigindo ao Bonfim, em blocos ou seguindo as carroças, e em pequenos veículos com equipamentos sonoros. No Bonfim, a festa prossegue com rodas de capoeira e samba, enquanto nas casas, os visitantes se deliciam com comidas populares, como o caruru, o cozido e a feijoada. Em seu lado religioso, a festa acontece com missas e novenas, durante todo o mês de janeiro, dedicadas ao Senhor do Bonfim, Nossa Senhora da Guia e uma trida de São Gonçalo.

Segundo o historiador Cid Teixeira, no Rio Vermelho havia uma capela consagrada à devoção de São Gonçalo, santo tradicionalmente festejado em Portugal com festas que eram grandes farras. A capela arruinou-se e a festa de devoção de São Gonçalo foi transferida para o Bonfim. Tem-se notícia que nos meados do século XIX, nas comemorações do mês de Janeiro, as festas já ocorriam na Colina Sagrada, com honrarias a Nosso Senhor do Bonfim, à Nossa Senhora da Guia e a São Gonçalo. No passado, grande parte dos devotos seguia por mar, em saveiros e pequenos vapores da Companhia Baiana. Desembarcavam no Porto da Lenha e subiam a ladeira de mesmo nome. Por causa da distância e das dificuldades, os romeiros chegavam ao Bonfim três dias antes da festa do santo e criaram o costume de lavar a igreja na quinta-feira, para prepará-la para o domingo.

A princípio essa lavagem era feita pelos moradores das vizinhanças e depois foi se tornando um ato cada vez mais disputado. Dos que seguiam a pé ou em gôndolas, devotas levavam água de toda a cidade, em potes, moringas ou vasilhas sobre as cabeças, dançando durante todo o trajeto. Por achar que o ato tinha assumido um caráter festivo exagerado e não-condizente com o local santo, a lavagem no interior do templo foi proibida em 1890, pelo Marquês de Santa Cruz, Dr. Manuel Victorino Pereira, chefe do Governo Provisório na época.

A festa, desde que se tem notícia, é marcada pelo sincretismo religioso. Ao lado dos devotos católicos, membros do candomblé prestam homenagem ao santo, que no sincretismo corresponde a Oxalá. No lado profano da festa, havia a apresentação de filarmônicas ao mesmo tempo de grupos com atabaques, capoeira, samba e a população dançando em alvoroço. Na véspera da festa, no chamado sábado do Bonfim, começavam a chegar à noite numerosos ternos e ranchos que cantavam e dançavam até a manhã de domingo e permaneciam à espera da tradicional Segunda-Feira Gorda da Ribeira. A Lavagem do Bonfim ainda guarda suas características do passado. Durante todo o dia devotos caminham em direção à igreja e grupos de capoeira, samba e outros ritmos musicais se espalham pelo bairro do Bonfim.
- IGREJA DE NOSSO SENHOR DO BONFIM
Um dos principais cartões-postais da cidade, A Igreja Basílica do Senhor Bom Jesus do Bonfim, ou Igreja de Nosso Senhor do Bonfim como é conhecida, é um dos símbolos da religiosidade baiana. A construção do santuário de peregrinação teve início em 1740 com a vinda para a Bahia do Capitão de Mar e Guerra, Theodósio de Faria. Segundo a Irmandade de Nosso Senhor do Bonfim, o Capitão de Mar e Guerra tinha grande devoção ao Senhor do Bonfim, através da imagem que se venera em Portugal, na cidade de Setúbal e trouxe de Lisboa uma imagem semelhante esculpida em pinho de riga, medindo 1,06m de altura. Conta-se a história que o Capitão português trouxe a imagem como agradecimento por haver sobrevivido a uma tempestade em alto-mar, tendo prometido construir uma igreja no ponto mais alto que avistasse, de onde pudesse acompanhar a entrada da Baía de Todos os Santos.
Em 1745, a imagem foi guardada na Igreja da Penha de França de Itapagipe, onde permaneceu até a construção do templo de Nosso Senhor do Bonfim. Nesse mesmo ano, foi fundada uma irmandade de devotos leigos que foi denominada “Devoção do Senhor do Bonfim”. Situado na única colina de Itapagipe, o tempo foi construído entre os anos de 1746 a 1772. A imagem do santo foi passada para seu templo, em 1754, em uma procissão que contou com a presença de grande parte da população da cidade e do então Governador da Bahia. A imagem de Nossa Senhora da Guia, também trazida de Portugal por Theodósio de Faria foi também colocada na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim e passou a ser venerada junto com o santo.
A Fachada do edifício é parcialmente revestida de azulejos brancos portugueses datados de 1873, contrastando com a pedra morena das esquinas, portais, cercaduras e frontão. Nos seis altares laterais estão painéis de Franco Velasco. Os painéis da sacristia e trinta e quatro quadros nos corredores são assinados por José Teófilo de Jesus. Os painéis “A Morte do Pecador” e “A Morte do Justo” quadros situados na entrada da igreja são atribuídos a Bento José Rufino Capinam e seu filho Tito Nicolau Capinam, respectivamente. Esta Igreja possui ainda azulejos de Lisboa com cenas da vida de Cristo e ricos adornos como: sacrário em prata lavrada, lâmpadas e tocheiros de prata. Possui também salas com lembranças das graças alcançadas com a ajuda do santo.
Em frente à Igreja encontramos o Largo do Bonfim ou Adro do Bonfim, como também é conhecido. As festas dedicadas ao santo acontecem na segunda semana de janeiro e a na semana seguinte as de Nossa Senhora da Guia. Dentro da semana dedicada ao Senhor do Bonfim acontece, na quinta-feira, a tradicional Lavagem do Bonfim, uma festa profano-religiosa, marcada pelo sincretismo religioso.
- MUSEU DO EX-VOTO
Sala da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim que comporta objetos, retratos, lembranças de pessoas que tiveram alguma graça alcançada, alguma cura milagrosa ou desejo realizado e dedica o sucesso ao Senhor do Bonfim. O museu foi criado em 11 de janeiro de 1975, por Rubem Freire de Carvalho, tesoureiro da irmandade Devoção do Senhor do Bonfim, com a colaboração do seu irmão João Carlos Freire de Carvalho Lopes.
Entre os objetos que fazem parte do acervo do museu destacam-se as muitas peças confeccionadas em gesso, madeira, em prata ou em ouro que reproduzem partes do corpo humano como mãos e pés. Muitas telas pintadas representam os milagres alcançados como o quadro de agradecimento pela sobrevivência a uma epidemia no ano de 1855 ou quadros pintados por artistas conhecidos como Francisco Velasco e Canizares. Uma escultura em cedro retrata um negro chamado Amaro, um escravo que foi doado à Capela como ex-voto em 1868.
-SALA DOS MILAGRES
Assim como o Museu dos Ex-votos, a Sala dos Milagres guarda lembranças deixadas por devotos do Senhor do Bonfim de graças e milagres alcançados. Enquanto o Museu está localizado no andar superior da Igreja, a Sala se situa no andar térreo, ao lado do altar-mór. Muitos moldes de gesso reproduzindo pés, pernas, braços e outras partes do corpo estão pendurados no teto da sala, representando as doenças curadas. Ao lado de pinturas representativas dos milagres atribuídos ao santo, figuram radiografias, quadros de formatura, retratos de pessoas, de casamentos e outras espécies de pertences doados à sala como sinal de gratidão dos devotos.
 - IRMANDADE DE NOSSO SENHOR DO BONFIM
A Irmandade Devoção do Senhor do Bonfim foi criada em 1745, junto com a chegada da imagem, trazida de Portugal pelo Capitão de Mar e Guerra Theodósio Rodrigues de Faria, este passou a ser o responsável por manter o culto ao Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia. A Irmandade é ainda responsável pela conservação do templo e das obras de arte do seu interior. Atualmente desenvolve também cursos profissionalizantes para a comunidade da paróquia do Bonfim além de cuidar da promoção da evangelização e da catequese na Basílica.
Trienalmente acontece a eleição da Mesa Administrativa, que se compõe dos chamados “Irmãos dignitários”. As funções, definidas em estatuto, são desenvolvidas por cargos como o de juiz, tesoureiro, escrivão e procurador. As eleições são realizadas em Assembleia Geral composta por “Irmãos devotos”, entre os quais se distinguem os “beneméritos”, pessoas que prestaram serviços de grande relevância ao culto e às obras mantidas pela Devoção do Senhor do Bonfim.
À Irmandade é atribuída a construção de vias de acesso até a Igreja do Bonfim, sendo a principal entidade responsável pelo desenvolvimento da península. A única forma de chegar ao Bonfim era pelo mar, então mandam abrir a estrada do Bonfim, hoje Av. Dendezeiros, que passou a ligar o Largo de Roma ao Bonfim. Construíram também o Cais das Amarras e a Ladeira da Lenha, ao lado da Igreja. As construções prosseguiram com a construção de vias, hoje Barão de Cotegipe e Fernandes da Cunha, em direção a Calçada. Foi a Irmandade também que construiu as casas dos romeiros, ao redor da Igreja.
 - CASA DOS ROMEIROS
Desde que se deu início o culto ao Nosso Senhor do Bonfim, o templo do santo atraiu muitos peregrinos até a colina sagrada. Os romeiros vinham de toda a Bahia, principalmente do recôncavo, em todas as épocas do ano, mas em especial no período da novena. Vinham para pagar promessas, em penitencia ou por devoção ao Senhor do Bonfim. Antes de existirem as avenidas que se dirigem ao Bonfim, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim era de difícil acesso, pois existiam poucas estradas que levassem até lá. O acesso era feito por mar, através do Porto da Lenha. Os romeiros subiam ladeiras íngremes e procuravam se acomodar no largo e em torno do templo. Famílias inteiras permaneciam ao relento a espera dos festejos.
 A Irmandade do Senhor do Bonfim sentiu necessidade de propiciar alguma forma de acolhimento àqueles devotos. Nesse propósito edificaram algumas pequenas casas perto da Igreja, para acolher os romeiros. Não era necessário pagar para ocupar os imóveis. No período da novena, a Irmandade Devoção do Bonfim organizava ceias para receber os romeiros. Hoje os romeiros não possuem esses espaços próprios para se hospedarem. As casas pertencentes à Irmandade perderam sua função inicial e estão alugadas ou vendidas a terceiros.
Pesquisa, Na Mídia:
:: LAVAGEM DO BONFIM, UMA HISTÓRIA DE PROIBIÇÕES - CONFLITOS E MUITA FÉ, A TARDE, 15.01.1987, cad 2, p. :: BONFIM, A DEVOÇÃO NA PRIMEIRA SEXTA, JORNAL DA BAHIA, 06.01.1973, cad 1, p.3, :: IMAGEM DO BONFIM NOS FESTEJOS DOS 150 ANOS, JORNAL DA BAHIA, 28.06.1973, p.3, :: FESTA DO BONFIM SERÁ DIA 20, A TARDE, 17.01.1974, cad 1, p.3, :: NA FESTA DE BRANCO, OXALÁ VAI TER O SEU TEMPLO LAVADO, JORNAL DA BAHIA, 07.01.1970, cad 1, p.7 

O Sibarita

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quinta-feira, dezembro 31, 2015

RÉVEILLON 2015

Ano Novo 

Ai meu Deus! Com o ano novo saindo do coldre
Já refletindo nos espelhos retrovisores da lua cheia.
Os atabaques tocam na limpeza do espiritual da coisa
E eu salto de pára-quedas do ano velho cheio de teias..

Atô tô! Na minha roupa branca o perfume de alfazemas,
Para minha proteção o guia Ogum de Ronda e meu patuá.
Com o ano velho no poço mil pedidos nas minhas oferendas
Num céu imenso de lírio azul flamejando na praia de Jauá!

Ah... Eu tô que tô! Pés nas nuvens as horas do dia eu as bebo:
Cravinho com as estrelas, com as luas e com os sois afogados
Na brisa do ano novo soprando nos mares dos meus desejos...

Do velho ano eu limpo o pó dos pensamentos encadeados.
Do ano novo que chega abro as velas, navego na claridade
Cortando o gás dos antigos ventos medonhos e semeados...

O Sibarita

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quinta-feira, dezembro 24, 2015

FELIZ NATAL

Nada Além do Natal...

 Nada sei além desta janela
aberta diante do meu olhar.
É a maré, é a maré!
Lixos e ratos
estampados no horizonte
de urubus circundando
pelo céu sob a réstia
do sol alumiando meus olhos
perdidos no escarcéu.

Olhando da janela
a visão é ciclope
e me remete
à infância na maré.

As rajadas no azul cinza
de moribundos dias
não esquecidos.
Quebrantava-se o dia...

Era Natal!
Miríades de sonhos
na misantropia
dourando barrigas de lombrigas
sucumbindo pela anemia...

Nada além...
A fome e o lixo!
Nenhum papai Noel ou presente
Dos meus natais,
apenas, os resquícios.

O Sibarita

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quarta-feira, dezembro 09, 2015

NESTA CIDADE TODO MUNDO É D'OXUM

Para assistir ao vídeo desligue a Rádio Humaitá ao lado


08 de dezembro na Bahia é festa. Dia de Nossa Senhora da Conceição, é dia de adoração pelos católicos e reverenciação por adeptos do candomblé e da umbanda, no sincretismo religioso a santa é Oxum, orixá das águas doces.

A comemoração dos baianos não é somente na igreja. A Bahia é terra do sincretismo religioso, por isso hoje é dia de reverenciar também Nossa Senhora da Conceição, padroeira dos baianos, e também Oxum, a rainha das águas doces, orixá da beleza e do amor.

Nesta quarta-feira (8), os católicos, o povo do santo (candomblé) e umbanda se reúne em frente à basílica para homenagear Oxum a Nossa Senhora da Conceição. Os pais, mães, filhos de santo e umbandistas dão banhos de folhas nos devotos para abrir os caminhos e trazer boas energias.

Ela, a santa é a padroeira do estado. A Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia foi construída com pedras pré-moldadas trazidas de Portugal. A devoção a Nossa Senhora da Conceição em Salvador se confunde com a história da Bahia.

O começo foi numa pequena capela, que fica ao lado da atual basílica. Foi erguida por Tomé de Souza logo que ele chegou para fundar Salvador, em 1549. A Basílica é muita frequentada pelos fies católicos e do candomblé.

O Sibarita

SOBRE OXUM

Oxum é um orixá feminino das águas doces, dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza, cultuada nas religiões afro-brasileiras (umbanda e candomblé) é sincretizada no catolicismo como diversas Nossa Senhora. Na Bahia, ela é tida como Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres.

O dia 8 de dezembro é marcado por duas celebrações cristãs de significados distintos (quase antagónicos), que se confundem devido à semelhança das suas designações. Sincretismo religioso aproxima várias Nossas Senhoras à figura do orixá Oxum.

O conceito teológico oficial é o do dogma da Imaculada Conceição de Maria, definido pelo papa Pio IX em 1854, e nada tem a ver com o conceito popular: afirma que Maria, mãe de Jesus, teria também sido gerada sem cópula carnal de seus pais (Ana e Joaquim); celebra, por isso, a castidade. Esta ideia começou a surgir no século XII, tendo causado intensa polémica e sido rejeitada por importantes teólogos, incluindo São Bernardo e São Tomás de Aquino, e condenada pelo papa Bento XIV em 1677, até ter sido aceite como dogma em 1854.

A instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI, que alegadamente sintetizaria um culto que em Portugal existiu muito antes de ser dogma, pelo menos na sua designação remete para o conceito popular, não para o conceito teológico afirmado pelo dogma. De igual forma, as freguesias portuguesas anteriormente listadas adoptaram a designação “Nossa Senhora da Conceição” ou “Conceição”, mas não “Imaculada Conceição”.

Em 8 de dezembro de 1904, em Lisboa solenemente lançou-se a primeira pedra para um monumento comemorativo do cinquentenário da definição do dogma. Ao ato, a que assistiram as pessoas reais, patriarca e autoridades, estiveram também representados por muitas irmandades de Nossa Senhora da Conceição, de Lisboa e do país, sendo a mais antiga a da atual freguesia dos Anjos, que foi instituída em 1589.

No Brasil é tradição montar a árvore de Natal e enfeitar a casa no dia 8 de dezembro, dia de N.Sra. da Conceição.

OXUM NA ÁFRICA

Rio Oxum na África

Osun, Oshun, Ochun ou Oxum, na Mitologia Yoruba é um orixá feminino. O seu nome deriva do rio Osun, que corre na Iorubalândia, região nigeriana de ijexá e Ijebu.

É representada pelo candomblé, material e imaterialmente, por meio do assentamento sagrado denominado Igba Oxum. É tida como um único Orixá que tomaria o nome de acordo com a cidade por onde corre o rio, ou que seriam dezesseis e o nome se relacionaria a uma profundidade desse rio.

As mais velhas ou mais antigas Oxum são encontradas nos locais mais profundos (Ibu), enquanto as mais jovens e guerreiras respondem pelos locais mais rasos. Ex.: Osun Osogbo, Osun Opara ou Apara, Yeye Iponda, Yeye Kare, Yeye Ipetu, etc.

Em sua obra Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns, Pierre Fatumbi Verger escreve que os tesouros de Oxum são guardados no palácio do rei Ataojá.

O templo situa-se em frente e contém uma série de estátuas esculpidas em madeira, representando diversos Orixás: “Osun Osogbo, que tem as orelhas grandes para melhor ouvir os pedidos, e grandes olhos, para tudo ver. Ela carrega uma espada para defender seu povo.”

O Festival de Oxum é realizado anualmente na cidade de Osogbo, Nigéria. O Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, onde se encontra o Templo de Oxum, é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2005.
 Ọṣun-Oogbo ou Bosque Sagrado de Osun-Osogbo é uma floresta sagrada às margens do rio Oxum que se encontra na cidade de Oogbo, Nigéria.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXUM

Os filhos de Oxum dão muito valor à opinião pública, fazem qualquer coisa para não chocá-la, preferindo contornar as suas diferenças com habilidade e diplomacia. Seus filhos e filhas são doces, sentimentais, agem mais com o coração do que com a razão e são muito chorões. Filhas de Oxum tem intuição forte e podem se tornar líderes espirituais

São extremamente vaidosos e conquistadores, adoram o luxo, a vida social, além de sempre estarem namorando. São obstinadas na procura dos seus objetivos. Oxum é o arquétipo daqueles que agem com estratégia, que jamais esquecem as suas finalidades; atrás da sua imagem doce esconde-se uma forte determinação e um grande desejo de ascensão social.

Têm certa tendência para engordar, a imagem do gordinho risonho e bem-humorado combina com eles. Adoram festas, vida social e de outros prazeres que a vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição, pois detestam escândalos.

Não se desesperam por paixões impossíveis, por mais que gostem de uma pessoa, o seu amor-próprio é muito maior. Eles são narcisistas demais para gostar muito de alguém. Graça, vaidade, elegância, preguiça, charme e beleza definem os filhos de Oxum, que gostam de joias, perfumes, roupas vistosas e de tudo que é bom e caro.

O lado espiritual dos filhos de Oxum é bastante aguçado. Talvez por isso, algumas das maiores Yalorixás (mães-de-santo) da história do Candomblé, tenham sido ou sejam de Oxum.

QUALIDADES DE OXUM

Oxum é a deusa da beleza e graciosidade

•Kare – veste azul e dourado, cor do ouro. Usa um abebé e um ofá dourados.

•Iyepòndàá ou Ipondá – é a mãe de Logunedé, orixá menino que compartilha dos seus axés. Ambos dançam ao som do ritmo ijexá, toque que recebe o nome de sua região de origem. Usa um abebé (espelho de metal) nas mãos, uma alfange (adaga), por ser guerreira, e um ofá (arco e flecha) dourado, por sua ligação com Oxóssi. É uma das mais jovens.

•Yeye òkè, •Iya Ominíbú, •Ajagura, •Ijímú, •Ipetú, •Èwuji, •Abòtò, •Ibola, •Gama (Vodun feminino da mesma energia de Sakpatá, incorporado ao culto Yorubá através de sua concernente Oxum)

•Oparà ou Apará – qualidade de Oxum, em que usa um abebé e um alfange (adaga) ou espada. Caminha com Oya Onira, com quem muitas vezes é confundida. Diferente das outras Oxuns por ter enredo com muitos Orixás, vem acompanhada de Oyá e Ogum.

CULTO A OXUM

•Dia principal de culto: Sábado, •Comemoração Anual: 08 de dezembro, •Cores: Amarelo, ouro, rosa, azul claro, •Símbolo: Leque com espelho (Abebé), •Elemento: Água Doce (Rios, Cachoeiras, Nascentes, Lagoas), •Domínios: Amor, Riqueza, Fecundidade, Gestação e Maternidade, •Saudação: Ora Yêyê Ô!, •Velas: branca, rosa e azul clara, •Oferendas: Omolocum, rosas e palmas amarelas, espelhos, bonecas, etc.


O Sibarita
 Fontes de pesquisas:
 wikipédia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Oxum
 Imaculada Conceição
 - https://pt.wikipedia.org/wiki/Imaculada_Concei%C3%A7%C3%A3o

 Características de Oxum - https://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/oxum/