O Descobrimento do Brasil deve ser entendido dentro do contexto das
Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos (séculos XV e XVI). Portugal e
Espanha eram as nações mais poderosas do mundo e se lançaram ao mar em busca de
novas terras para explorar. Usavam também o mar como rota para chegar as
Índias, grande centro comercial da época, onde compravam especiarias (temperos,
tecidos, joias) para revender na Europa com alta lucratividade.
A chegada dos portugueses ao Brasil
O Descobrimento do Brasil ocorreu no dia 22 de abril de 1500. Nesta data
as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, chegou
ao litoral sul do atual estado da Bahia. Era um local que havia um monte, que
foi batizado de Monte Pascoal.
No dia 24 de abril, dois dias após a chegada, ocorreu o primeiro contato
entre os indígenas brasileiros que habitavam a região e os portugueses. De
acordo com os relatos da Carta de Pero Vaz de Caminha foi um encontro pacífico
e de estranhamento, em função da grande diferença cultural entre estes dois
povos.
Primeiros contatos com os indígenas
Cabral recebeu alguns índios em sua caravela. Logo de cara, os índios
apontaram para objetos de prata e ouro. Este fato fez com que os portugueses
pesassem que houvesse estes metais preciosos no Brasil. Neste contato os
portugueses ofereceram água aos índios que tomaram e cuspiram, pois era água
velha com gosto muito diferente da água pura e fresca que os índios tomaram. Os
índios também não quiseram vinho e comida oferecidos pelos portugueses.
Neste contato, que foi um verdadeiro “choque de culturas”, houve
estranhamento de ambos os lados. Os portugueses estranharam muito o fato dos
índios andarem nus, enquanto os indígenas também estranharam as vestimentas,
barbas e as caravelas dos portugueses.
No dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil, rezada
pelo Frei Henrique de Coimbra. Após a missa, a esquadra rumou em direção as
Índias, em busca das especiarias. Como acreditavam que a terra descoberta se
tratava de uma ilha, a nomearam de Ilha de Vera Cruz (primeiro nome do Brasil).
Polêmica: Descobrimento ou chegada?
Quando usamos o termo “Descobrimento do Brasil” parece que nossa terra
não era habitada e os portugueses foram os primeiros a encontrá-la. Desta
forma, desconsideramos a presença de mais de cinco milhões de indígenas,
divididos em várias nações, que já habitavam o Brasil muito tempo antes da
chegada dos portugueses.
Portanto, muitos historiadores preferem falar em “Chegada dos
Portugueses ao Brasil”. Desta forma é valorizada a presença dos nativos
brasileiros no território. Diante deste contexto, podemos afirmar que os
portugueses descobriram o Brasil para os europeus.
Principal fonte histórica
A principal fonte histórica sobre o Descobrimento do Brasil é um
documento redigido por Pero Vaz de Caminha, o escrivão da esquadra de Cabral. A
"Carta de Pero Vaz de Caminha" a D. Manuel I, rei de Portugal, conta
com detalhes aspectos da viagem, a chegada ao litoral brasileiro, os índios que
habitavam na região e os primeiros contatos entre os portugueses e os
nativos.
Curiosidade:
- A esquadra de Cabral contou com aproximadamente 1400 homens. Eram
marinheiros (maioria), técnicos em navegação, escrivão, cozinheiros, padre,
ajudantes entre outros.
Ah, tá rebocado minha Iaiá, já é carnaval na cidade. Do Campo Grande à Ondina o coro come na Bahia! Transmuto-me ao profano das moças na liberalidade Dos ensejos aflorados... Ai meu Deus! É só alegria...
Evoé, no coração daquela menina de abadá do camaleão Coloco o meu manto de Sibarita, estou livre, leve e solto. Sobre os teus seios de deusa os meus olhos de navegação, Vixe mainha! Embarco, caio na gandaia e mostro o rosto.
No fogo do querer, atiro-me nas chamas, entro em cena Deito e rolo, embolo e me entrego na cobiça desta folia. Nas fronteiras do infinito: Eu, o luar e a moça obscena Balançando o chão da Avenida na plenitude das orgias.
Ah, os teus beijos, fogo dos demônios ao som da Chiclete. Gemidos, tremores e eu sorvendo dos teus lábios o aroma Dos desejos e, no meio da multidão, vamos pintando o sete Rolando pelas ruas desta cidade na vertigem de Sodoma!
E vamos nós, circuito Barra/Ondina, é como o diabo gosta. Ah, eu sinto os gozos jorrarem nas chamas deste carnaval, Ai! Na delicia o céu que nos cobre brota uma lua em tochas. Valha-nos Deus! Como o mundo fútil no olor deste bacanal!
Caro leitor ouça a música hino a Iemanjá "É DE OXUM" composição:
Geronimo Santana e Vevé Calazans, cantada pelos próprios.
Desliguem a Rádio Humaitá ao lado.
IEMANJÁ
Ô Fia, tô no Rio Vermelho, é festa da dona do mar,
Fiz pedidos e por aforismo os seus também, Alodê!
Vaidosa, poderosa, dona das cabeças, salve Iemanjá!
Com os presentes no barco, mando beijos para ôce...
Preta, estou de espinhela caída na nata dos desejos,
O sincretismo religioso da festa de Iemanjá, fogaréu.
Nos meus patuás e minhas vestes brancas, o ensejo,
Toques dos atabaques repicam quereres no azul céu...
Ô nega da alma fresca, cheia de assuntos, toda petitosa.
Aqui, o sol do Rio Vermelho se refresca no mar, Odoyá!
Ouriçadíssimas vontades plenas neste aromal de rosas
Arqueja a bem aventurança aos filhos (as) de Iemanjá...
Mar de almirante e nele a fé, os pedidos, os presentes,
Vejo, participo de perto a colossal procissão dos barcos.
A moça que mora no mar é vaidosa, amorosa, no alente,
Não faz distinção, tudo é uma coisa só, o pobre, o
farto...
Nos teus cabelos tem o céu com muitas luas iluminando,
Olhos consoladores, espelho de todo bem, diva do amor!
A essência! Além dos mares, além dos rios, dos oceanos,
Odoyá, Iemanjá! Com a candeia nas mãos, Ora yê yê ô!
Neguinha, estou com os poros à flor do desejo que afoga,
Os desejos mundanos nos olhos daquela moça inocente.
Ao tudo da sedução, fogueira, em que o amor venal roga.
No aqui da festa de Iemanjá em que sou muito serpente...
O Sibarita
BAIANÊS
Ô Fia – Ô menina.
Tô – Estou.
Rio Vermelho – O bairro mais boêmio de Salvador, onde é
feita a festa de Iemanjá.
Ôce – Você
Preta – Carinhosamente chamando uma mulher.
Estou de espinhela caída – Estou pasmo.
Patuás –Amuleto
da sorte.
Ô nega – Carinhosamente chamando uma mulher.
Alma fresca – Jovial, jovem.
Cheia de assuntos – Mulher que conversa muito, tem muita
conversa.
Toda petitosa – Toda gostosa.
Aromal de rosas – Perfume de rosas.
Mar de Almirante – Mar sereno, calmo para navegar.
A moça que mora no mar – Iemanjá.
Neguinha – Amorosamente chamando uma mulher.
Moça inocente – Mulher da vida, mundana.
Muito serpente – Muito desejoso.
O Sibarita
SOBRE IEMANJÁ
Iemanjá, Orixá feminino (divindade africana) do Candomblé e Umbanda. O seu nome tem origem nos termos do idioma
Yorubá “Yèyé omo ejá”, que significam “Mãe cujos filhos são como peixes”.
Mãe-d'água dos Iorubatanos no Daomé, orixá fluvial
africano passou a marítimo no Norte do Brasil.
No Brasil, a deusa Iemanjá recebe diferentes nomes,
dentre eles: Dandalunda, Inaé, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa
de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Sereia do Mar, etc.
Iemanjá é a padroeira dos pescadores. É ela quem decide o
destino de todos aqueles que entram no mar. Também é considerada como a
“Afrodite brasileira”, a deusa do amor a quem recorrem os apaixonados em casos
de desafetos amorosos.
No dia 2 de fevereiro acontece em Salvador, capital do
Estado da Bahia, a maior festa popular dedicada a Iemanjá. Neste dia, milhares
de pessoas trajadas de branco fazem uma procissão até ao templo de Iemanjá,
localizado na praia do Rio Vermelho, onde deixam os presentes que vão encher os
barcos que os levam para o mar.
No Rio de Janeiro as festas em honra de Iemanjá estão
relacionadas com a passagem de ano.
Nos candomblés fiéis às origens africanas, o culto é
prestado em locais fechados, nos atuais o culto é ao ar livre, prestado no mar
e nas lagoas, sendo Iemanjá muitas vezes representada como sereia.
Os devotos levam para o mar vários presentes que são
tidos como recusados quando não afundam ou quando são devolvidos à praia.
Dentre as diversas oferendas para a bela e vaidosa deusa,
encontram-se flores, bijuterias, vidros de perfumes, sabonetes, espelhos e
comidas. O ritual se repete em outras praias do Brasil.
As celebrações a Iemanjá também acontecem em
15 de agosto, 8 de dezembro e 31 de dezembro.
IEMANJÁ E MÚSICA
Existem várias músicas que são feitas em homenagem a
Iemanjá. Exemplo disso é a música "Iemanjá" do grupo musical
Chimarruts, uma banda de reggae do Rio Grande do Sul.
IEMANJÁ E SINCRETISMO
No sincretismo religioso, Iemanjá corresponde a Nossa
Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Candeias,
Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria.
LAVAGEM DO BONFIM (Desligue a rádio Humaitá ao lado para ouvir o Hino ao Senhor do Bonfim)
A procissão de Nosso Senhor do
Bonfim e lavagem das escadarias da Igreja é considerada a mais importante das
comemorações de largo de Salvador. O cortejo acontece na segunda quinta-feira
após o dia de Reis (6 de janeiro). E os festejos religiosos (novena) encerram
no domingo após a lavagem. Fogos de artifícios anunciam o início da procissão.
O cortejo tem a presença de baianas e fiéis que caminham desde a Igreja de
Nossa Senhora da Conceição da Praia até o adro do Bonfim. No percurso, as
baianas carregam água de cheiro, jarros de flores e vassouras. Carroças
enfeitadas conduzem os devotos em um percurso de aproximadamente 8 quilômetros.
Milhares de pessoas vestem-se de branco para acompanhar o cortejo, em busca de
proteção do Santo e das águas perfumadas. Ao chegar, as baianas lavam as
escadarias e o adro da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim com água perfumada e
jorram a água sobre as cabeças de pessoas que buscam neste banho a purificação
do corpo e da alma. Durante o resto do dia muitas pessoas continuam se
dirigindo ao Bonfim, em blocos ou seguindo as carroças, e em pequenos veículos
com equipamentos sonoros. No Bonfim, a festa prossegue com rodas de capoeira e
samba, enquanto nas casas, os visitantes se deliciam com comidas populares,
como o caruru, o cozido e a feijoada. Em seu lado religioso, a festa acontece
com missas e novenas, durante todo o mês de janeiro, dedicadas ao Senhor do
Bonfim, Nossa Senhora da Guia e uma trida de São Gonçalo.
Segundo o historiador Cid
Teixeira, no Rio Vermelho havia uma capela consagrada à devoção de São Gonçalo,
santo tradicionalmente festejado em Portugal com festas que eram grandes
farras. A capela arruinou-se e a festa de devoção de São Gonçalo foi
transferida para o Bonfim. Tem-se notícia que nos meados do século XIX, nas
comemorações do mês de Janeiro, as festas já ocorriam na Colina Sagrada, com
honrarias a Nosso Senhor do Bonfim, à Nossa Senhora da Guia e a São Gonçalo. No
passado, grande parte dos devotos seguia por mar, em saveiros e pequenos
vapores da Companhia Baiana. Desembarcavam no Porto da Lenha e subiam a ladeira
de mesmo nome. Por causa da distância e das dificuldades, os romeiros chegavam
ao Bonfim três dias antes da festa do santo e criaram o costume de lavar a
igreja na quinta-feira, para prepará-la para o domingo.
A princípio essa lavagem era
feita pelos moradores das vizinhanças e depois foi se tornando um ato cada vez
mais disputado. Dos que seguiam a pé ou em gôndolas, devotas levavam água de
toda a cidade, em potes, moringas ou vasilhas sobre as cabeças, dançando
durante todo o trajeto. Por achar que o ato tinha assumido um caráter festivo
exagerado e não-condizente com o local santo, a lavagem no interior do templo
foi proibida em 1890, pelo Marquês de Santa Cruz, Dr. Manuel Victorino Pereira,
chefe do Governo Provisório na época.
A festa, desde que se tem
notícia, é marcada pelo sincretismo religioso. Ao lado dos devotos católicos,
membros do candomblé prestam homenagem ao santo, que no sincretismo corresponde
a Oxalá. No lado profano da festa, havia a apresentação de filarmônicas ao
mesmo tempo de grupos com atabaques, capoeira, samba e a população dançando em
alvoroço. Na véspera da festa, no chamado sábado do Bonfim, começavam a chegar
à noite numerosos ternos e ranchos que cantavam e dançavam até a manhã de
domingo e permaneciam à espera da tradicional Segunda-Feira Gorda da Ribeira. A
Lavagem do Bonfim ainda guarda suas características do passado. Durante todo o
dia devotos caminham em direção à igreja e grupos de capoeira, samba e outros
ritmos musicais se espalham pelo bairro do Bonfim.
- IGREJA DE NOSSO SENHOR DO
BONFIM
Um dos principais cartões-postais
da cidade, A Igreja Basílica do Senhor Bom Jesus do Bonfim, ou Igreja de Nosso
Senhor do Bonfim como é conhecida, é um dos símbolos da religiosidade baiana. A
construção do santuário de peregrinação teve início em 1740 com a vinda para a
Bahia do Capitão de Mar e Guerra, Theodósio de Faria. Segundo a Irmandade de
Nosso Senhor do Bonfim, o Capitão de Mar e Guerra tinha grande devoção ao
Senhor do Bonfim, através da imagem que se venera em Portugal, na cidade de
Setúbal e trouxe de Lisboa uma imagem semelhante esculpida em pinho de riga,
medindo 1,06m de altura. Conta-se a história que o Capitão português trouxe a
imagem como agradecimento por haver sobrevivido a uma tempestade em alto-mar,
tendo prometido construir uma igreja no ponto mais alto que avistasse, de onde
pudesse acompanhar a entrada da Baía de Todos os Santos.
Em 1745, a imagem foi guardada na
Igreja da Penha de França de Itapagipe, onde permaneceu até a construção do
templo de Nosso Senhor do Bonfim. Nesse mesmo ano, foi fundada uma irmandade de
devotos leigos que foi denominada “Devoção do Senhor do Bonfim”. Situado na
única colina de Itapagipe, o tempo foi construído entre os anos de 1746 a 1772.
A imagem do santo foi passada para seu templo, em 1754, em uma procissão que
contou com a presença de grande parte da população da cidade e do então
Governador da Bahia. A imagem de Nossa Senhora da Guia, também trazida de
Portugal por Theodósio de Faria foi também colocada na Igreja de Nosso Senhor
do Bonfim e passou a ser venerada junto com o santo.
A Fachada do edifício é
parcialmente revestida de azulejos brancos portugueses datados de 1873,
contrastando com a pedra morena das esquinas, portais, cercaduras e frontão.
Nos seis altares laterais estão painéis de Franco Velasco. Os painéis da
sacristia e trinta e quatro quadros nos corredores são assinados por José
Teófilo de Jesus. Os painéis “A Morte do Pecador” e “A Morte do Justo” quadros
situados na entrada da igreja são atribuídos a Bento José Rufino Capinam e seu
filho Tito Nicolau Capinam, respectivamente. Esta Igreja possui ainda azulejos
de Lisboa com cenas da vida de Cristo e ricos adornos como: sacrário em prata
lavrada, lâmpadas e tocheiros de prata. Possui também salas com lembranças das
graças alcançadas com a ajuda do santo.
Em frente à Igreja encontramos o
Largo do Bonfim ou Adro do Bonfim, como também é conhecido. As festas dedicadas
ao santo acontecem na segunda semana de janeiro e a na semana seguinte as de
Nossa Senhora da Guia. Dentro da semana dedicada ao Senhor do Bonfim acontece,
na quinta-feira, a tradicional Lavagem do Bonfim, uma festa profano-religiosa,
marcada pelo sincretismo religioso.
- MUSEU DO EX-VOTO
Sala da Igreja de Nosso Senhor do
Bonfim que comporta objetos, retratos, lembranças de pessoas que tiveram alguma
graça alcançada, alguma cura milagrosa ou desejo realizado e dedica o sucesso
ao Senhor do Bonfim. O museu foi criado em 11 de janeiro de 1975, por Rubem
Freire de Carvalho, tesoureiro da irmandade Devoção do Senhor do Bonfim, com a
colaboração do seu irmão João Carlos Freire de Carvalho Lopes.
Entre os objetos que fazem parte
do acervo do museu destacam-se as muitas peças confeccionadas em gesso,
madeira, em prata ou em ouro que reproduzem partes do corpo humano como mãos e
pés. Muitas telas pintadas representam os milagres alcançados como o quadro de
agradecimento pela sobrevivência a uma epidemia no ano de 1855 ou quadros
pintados por artistas conhecidos como Francisco Velasco e Canizares. Uma
escultura em cedro retrata um negro chamado Amaro, um escravo que foi doado à
Capela como ex-voto em 1868.
-SALA DOS MILAGRES
Assim como o Museu dos Ex-votos,
a Sala dos Milagres guarda lembranças deixadas por devotos do Senhor do Bonfim
de graças e milagres alcançados. Enquanto o Museu está localizado no andar
superior da Igreja, a Sala se situa no andar térreo, ao lado do altar-mór.
Muitos moldes de gesso reproduzindo pés, pernas, braços e outras partes do
corpo estão pendurados no teto da sala, representando as doenças curadas. Ao
lado de pinturas representativas dos milagres atribuídos ao santo, figuram
radiografias, quadros de formatura, retratos de pessoas, de casamentos e outras
espécies de pertences doados à sala como sinal de gratidão dos devotos.
- IRMANDADE DE NOSSO SENHOR DO
BONFIM
A Irmandade Devoção do Senhor do
Bonfim foi criada em 1745, junto com a chegada da imagem, trazida de Portugal
pelo Capitão de Mar e Guerra Theodósio Rodrigues de Faria, este passou a ser o
responsável por manter o culto ao Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia. A
Irmandade é ainda responsável pela conservação do templo e das obras de arte do
seu interior. Atualmente desenvolve também cursos profissionalizantes para a
comunidade da paróquia do Bonfim além de cuidar da promoção da evangelização e
da catequese na Basílica.
Trienalmente acontece a eleição
da Mesa Administrativa, que se compõe dos chamados “Irmãos dignitários”. As
funções, definidas em estatuto, são desenvolvidas por cargos como o de juiz,
tesoureiro, escrivão e procurador. As eleições são realizadas em Assembleia
Geral composta por “Irmãos devotos”, entre os quais se distinguem os
“beneméritos”, pessoas que prestaram serviços de grande relevância ao culto e
às obras mantidas pela Devoção do Senhor do Bonfim.
À Irmandade é atribuída a construção
de vias de acesso até a Igreja do Bonfim, sendo a principal entidade
responsável pelo desenvolvimento da península. A única forma de chegar ao
Bonfim era pelo mar, então mandam abrir a estrada do Bonfim, hoje Av.
Dendezeiros, que passou a ligar o Largo de Roma ao Bonfim. Construíram também o
Cais das Amarras e a Ladeira da Lenha, ao lado da Igreja. As construções
prosseguiram com a construção de vias, hoje Barão de Cotegipe e Fernandes da
Cunha, em direção a Calçada. Foi a Irmandade também que construiu as casas dos
romeiros, ao redor da Igreja.
- CASA DOS ROMEIROS
Desde que se deu início o culto
ao Nosso Senhor do Bonfim, o templo do santo atraiu muitos peregrinos até a
colina sagrada. Os romeiros vinham de toda a Bahia, principalmente do
recôncavo, em todas as épocas do ano, mas em especial no período da novena.
Vinham para pagar promessas, em penitencia ou por devoção ao Senhor do Bonfim.
Antes de existirem as avenidas que se dirigem ao Bonfim, a Igreja de Nosso
Senhor do Bonfim era de difícil acesso, pois existiam poucas estradas que
levassem até lá. O acesso era feito por mar, através do Porto da Lenha. Os
romeiros subiam ladeiras íngremes e procuravam se acomodar no largo e em torno
do templo. Famílias inteiras permaneciam ao relento a espera dos festejos.
A Irmandade do Senhor do Bonfim
sentiu necessidade de propiciar alguma forma de acolhimento àqueles devotos.
Nesse propósito edificaram algumas pequenas casas perto da Igreja, para acolher
os romeiros. Não era necessário pagar para ocupar os imóveis. No período da
novena, a Irmandade Devoção do Bonfim organizava ceias para receber os
romeiros. Hoje os romeiros não possuem esses espaços próprios para se
hospedarem. As casas pertencentes à Irmandade perderam sua função inicial e
estão alugadas ou vendidas a terceiros.
Pesquisa, Na Mídia:
:: LAVAGEM DO BONFIM, UMA
HISTÓRIA DE PROIBIÇÕES - CONFLITOS E MUITA FÉ, A TARDE, 15.01.1987, cad 2, p. :: BONFIM, A DEVOÇÃO NA PRIMEIRA
SEXTA, JORNAL DA BAHIA, 06.01.1973, cad
1, p.3, :: IMAGEM DO BONFIM NOS FESTEJOS
DOS 150 ANOS, JORNAL DA BAHIA, 28.06.1973, p.3, :: FESTA DO BONFIM SERÁ DIA 20, A TARDE, 17.01.1974, cad 1, p.3, :: NA FESTA DE BRANCO, OXALÁ VAI
TER O SEU TEMPLO LAVADO, JORNAL DA BAHIA, 07.01.1970, cad
1, p.7
Nada sei além desta janela aberta diante do meu olhar. É a maré, é a maré!
Lixos e ratos estampados no horizonte de urubus circundando pelo céu sob a réstia do sol alumiando meus olhos perdidos no escarcéu. Olhando da janela a visão é ciclope e me remete à infância na maré. As rajadas no azul cinza de moribundos dias não esquecidos. Quebrantava-se o dia... Era Natal! Miríades de sonhos na misantropia dourando barrigas de lombrigas sucumbindo pela anemia... Nada além...