terça-feira, março 27, 2007

SENTIMENTOS

Sentimentos

Estou no ar!
A ventania bate-me forte.
Mudará de rumo? Revelará sinais?
Boa noite, saudade!
Não mais sentimentos a acender-me.
Já não há lógica, só fragmentos...
O enigma acena-me mosaicamente,
legado em taças cristalinas.
Bebo o prazer e a dor. Trôpego,
me devoro em partículas medíocres
à procura de caminhos de abstrato sentido.
Aceito-os. Não há passos, só o destino!
Estou longe. Já não existe o mar.
Vagueio na solidão. Não há bússola...
Não mais pedra. Não existem flores.
Por lógica, removo o limbo, o lodo!

É tarde...muito tarde...
Meus sentimentos perderam-se na escuridão
à procura de trilhas dos mesmos sonhos...

Divina!
Espelho da puridade,
olha o que fizeste?

Ai de mim!
Quebraste sem piedade
o encanto do destino...

O Sibarita

terça-feira, março 20, 2007

PLENITUDE

Plenitude

A minha paixão tem sintonia fina,
Porque o meu desejo é tão imenso,
Que o coração tocaia na esquina
Os teus lábios de beijos intensos...

Entrego-me, abro os teus flancos,
Desabrocho o fogo que te fervilha,
Porquanto beijo teus lírios brancos
Minha mão brinca entre tuas virilhas...

Minhas mãos - poemas perfeitos-
Deslizam no teu corpo de salgas,
E no arrebol de ouro do teu púbis
Eu defloro o amaranto do teu sol...

Na flora umedecida do teu púbis
Adentra com sede o meu sexo
E na turgescência a natureza flui
O vinho branco agudo dos nexos...

Unido ao teu tempo e na resina
Impregnada do teu olor, minha rainha,
Tu tens nos beijos o fogo de menina,
Ao afogar-me no melaço da tua vinha.

Vinhas dos céus, vôo de beija-flor!
Eu, menino, por ti, viajei longe
E fiz o pouso sob aquele cobertor
Para brincar de esconde-esconde...

O Sibarita


sábado, março 17, 2007

ÁGUA FUNDA

Água Funda...

Caô, caô! Eu me entrego, ando mesmo na arribação.
Tudo agora e amanhã explode em torres de insônias
E ao sopro da tua volúpia no tum tum tum do coração
Eu desfio as luas coalhadas e toco fogo na babilônia...

O meu pensamento é fervura, é dilúvio, é vulcão
Em ignição derretendo a face do amor submerso,
Que geme por cada filete no grito de desesperação
Em tremores de passos no meu quarto deserto...

Do mar de aéreo azul, amada, tens os olhos exilados,
No teu olhar pendem interrogações sob o sol deserto,
Crepúsculo que se esvai encobrindo o teu rosto amado
De sal nos lábios e coração mais que cimento. Concreto!

Curvada no teu seio, a paixão, sempre vem a galope
E no horizonte de ganhos e perdidos o teu nome ruge
Desfilando os momentos lentamente. Ai! Foge o tempo
E, entre, os prazeres divinais, na fome, como nuvens...

Em mim, é que habitas, minha dona e minha comparsa.
Eu, primavera em flor na nascente de todas as loucuras
Vejo-te da tua janela, em uma lua longa, magra, esparsa
E no teu olhar, céu que germina furacões, a candura...

Mas, eu permaneço em mim mesmo segurando o tempo.
E quem dirá das ânsias infinitas que o coração inunda?
Do dia e noite varridos nas asas dos arcanjos da agonia?
- São tantos os cinzas ardidos no abismo e água funda...

O Sibarita

sábado, março 10, 2007

DEUSA

Deusa

Retorno a mim, hoje, agora.
Vou me ser, outra vez,
Nesse último sol
que se apaga lá fora
no cinza poente do teu olhar
o teu oceano
em qualquer navegação
de qualquer mar morto
que afogue meu coração.
E contigo todas as sereias
dos oceanos e dos céus,
todas as ondas, os ventos e os arrecifes
todas as musas e as deusas sem véus
Febe, Calíope, Briseida e Afrodite.
Não direi das ondas fortes
em cascos de veleiros...
Ah, sobre os teus seios
de deusa também um deuse
em cardumes de desejos
e todas essas fêmeas,
todas essas musas, bendigo!
Oh deusa, eu vou à volúpia
de uma noite contigo.
O azul e a noite, a lua e tu,
tuas deusas e tuas sereias.
Comigo o mar de ti
num leito de rosas
e lençóis de jasmim
ao ritmo do teu corpo
entre a cintura e o teu quadril
mais a manta de aromas
do meu corpo viril
em monte de pétalas desfeito...
A cada arco das tuas curvas
moldaremos à forma o meu corpo.
Tua pele aprenderá da minha
o aroma e maciez e desejos.
Em cada palmo da tua pele estou
em cada poro do meu corpo estás.
Aprenderás, ainda, que a noite
dos que dormem a aurora acordam
sobre os seios das deusas...
Vem dormir comigo e contigo
todas as deusas e sereias
todas as ninfas e musas.

Ai deusa, este poema
é como um punhal
pelo punho brota flores...
E quem quiser ver-me
que me procure nos teus olhos.

Valha-me Deus! Oh, deusa
cravei o tritão de Poseidon na lua
e as velas de tua nau serão escassas
para enxugar-te as lágrimas...

E nunca mais:
a melodia de um reggae
dos hinos do Bob Marley
aos teus ouvidos cegos...

O Sibarita

sexta-feira, março 02, 2007

RUMOR DO CARNAVAL

Figura Iluminada Joan Beltrán Bofill
R u m o r

Tudo bem...
que esta poesia
se torne um folhetim
que ainda gostes de mim
e que na minha camisa
tenha manchas de batom
que não os teus!
E que o perfume impregnado
não seja o teu!
Tudo bem...
que te arrenegues dos beijos
e que não te negues os fatos...
Que faças
as tuas buscas
a procura de lábios
em rostos abstratos
de possíveis retratos!
Tudo bem...
que eu seja o teu fetiche
exorcize os teus demônios
que tu sejas os meus anjos,
que a paixão é inexorável
e tenha se tornado rumor
de beijos indecifráveis...

Só não queiras
guilhotinar minha alma
nesta tua cegueira
que ela tem belos gerânios
em horizontes estâncianos
com sede imensa de luzeiros
e dos teus beijos por inteiros!

Tudo bem...
que dista o alado do condor
mas, saibas que ainda me tens...

O Sibarita

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

EVOÉ BACO! CINZAS...

Vejam: Banda Chiclete no trio elétrico cantando "Voa, Voa..."
Bloco Camaleão no *Campo Grande, a massa delira. Imperdível!

Evoé Baco! Cinzas...

Apagam-se as últimas réstias de luzes já é quarta-feira,
Amanhecendo... Os desejos ainda aflorados. Oh, Baco!
Sai de cena: eu, o profano e ela, a lua, obscena por inteira
Ébrio, rasgo minha fantasia de sibarita em mil pedaços...

Deixo estes versos de remissão para as donas meninas.
É que no Olimpo, o carnaval virou cinzas. E eu, o jogral
Desmonto o anfiteatro, limpo a coxia, fecho as cortinas,
E neste sétimo ato faço o hiato desses dias de bacanal...

Então, enfronho a bandeira do prazer... Faço o estorno
Dos amores frívolos e venais, queimo tudo, são cinzas!
Tenho, agora, nos lábios o sal... No mar, o sol tão morno,
No meu alforje, nenhum brilho dos gozos das meninas...

Deixo para trás a falsa abundância das carnes atiçadas,
Das mundanas da Conceição e da Montanha... Evoé Baco!
E tudo que deixou de ser nos orgasmos das moças recatadas.
Eu, o Sibarita, devolvo o manto do bacanal! Desembarco...

Na luz de todas as cores, na cor do sol, molusco em chamas,
Ai meu Deus! Todo esse fulgor, agora, se esmaece e se apaga.
Os desejos e o bacanal navegam no mar ouriçado de escamas,
Evoé Baco! O carnaval virou cinzas boiando de vaga em vaga...

Ah! Recolho-me à reflexão... Adeus carnaval profano!
Faço minha penitência em quarenta dias de abstinência,
Em vigília, jejuo, nenhuma carne, esqueço o mundano...
Na via sacra ressurgirei purificado no domingo de ramos!

O Sibarita

* Campo Grande, ínicio dos desfiles dos blocos no circuito Osmar (Inventor do trio com Dodo) que se extende por toda Av. Sete, Praça Castro Alves e Rua Carlos Gomes.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

CAMALEÃO

Camaleão na Bahia não é bicho, é bloco – e o maior bloco de carnaval! Com tradição de quase 30 anos, o Camaleão transforma as ruas por onde passa, com a Banda Chiclete com Banana no comando do seu trio elétrico. Salvador pára para ver o Camaleão passar. Mas a multidão não fica parada um só minuto. Este é o bloco que saio há mais de 20 anos.
Evoé Baco!

Meia noite. Ela, a lua, nua e soberana entra em cena!
Acorda cidade! É carnaval! O meu manto de Sibarita
Estendo às donas meninas mais ardentes e obscenas
Cheias de má intenção, ai de mim! O gozo mortifica...

O que importa? Eu, ébrio, só de ilusões... É o meu vício
Que me alucina nesses amores frívolos e curtos, eu domo!
Rindo, vejo no corpo das meninas o amor venal de ofício
E me entrego aos prazeres carnais dos velhos carnavais!

No meu alforje rutilam as belas morenas/colombinas.
Eu, o Sibarita dos amores caio na gandaia... embarco!
É nestes obscenos versos que o bel-prazer me ilumina:
Nas chamas e nos ensejos dos desejos... Evoé baco!

E no estio das serpentinas o rútilo de Sodoma
Em lampejos de orgias acendem a febre do prazer.
A lira etérea dos gozos e orgasmos que a cobiça toma
Rumina em mim e nas colombinas ao sol do amanhecer...

Na nudeza da lua Loba, ai meu Deus! Todas as fantasias
Afloradas, poros por poros, ôie! Neste tempo de bacanal
Da urge fronte que brilha na delícia me entrego às orgias
Das donas moças para revelar os prazeres deste carnaval!

Vixe mainha... Evoé Baco!

O Sibarita
Música Mid: 100% você - Chiclete com Banana
Ouçam a www.humaita.radiowebtv.com Neste Carnaval programação especial, vale a pena ouvir!

sábado, fevereiro 10, 2007

VIVA O CARNAVAL DA BAHIA


Av. Sete a nata da sociedade - Os marezeiros - Pça Castro Alves, a nata...

Ópera Bufa do Carnaval de Salvador

Gatos nas panelas
Tamborins exaltados.
Fome na boca da miséria
Gatos escalpelados...

Na maré,
os marezeiros colocam o bloco na rua.
Lá vai o bloco dos miseráveis desfilando
pela passarela da ponte Santo Antonio!
Explode o som do serviço de alto-falante
“Eu sou o carnaval em cada esquina...”
Caretas feitas de sacos de alinhassem,
pano de chita enfeitando as meninas.
Nas pontes, não há batalhas de confetes.
Jornais velhos como serpentinas,
serpenteiam tristezas e pneumonias!
Nesse bloco não tem cordas
e não tem as cores da cidade
é um amontoado de sofrimentos
fazendo festa sem instrumentos...
Farrapos de mortalhas como fantasias,
no enredo desfilam: fome, asma e cirrose
meningite, pneumonia e tuberculose...
No porta-estandarte,
dona morte requebra cheia de alegria
sob a pele de barrigas vazias!
Enquanto no outro lado da cidade,
dona esperança pula cheia de alegorias!
No porta estandarte,
desfilam: saúde, escolas e educação,
teatro, lazer e boa alimentação!
Do Campo Grande à praça Castro Alves,
batalha de confetes, pierrôs e colombinas,
lança-perfume, cervejas e serpentinas.
Dentro das cordas,
o trio detona o som: “atrás do trio elétrico
só não vai quem já morreu...”
Requebram quadris bonitos e malhados.
A nata da sociedade em plena felicidade,
desce a Avenida Sete com os desejos aflorados...

Na maré, segue o carnaval...
Crianças caras-pálidas,
botam o bloco nas pontes.
Pintam os rostos de índios
e de cuias nas mãos,
os vinténs serão bem vindos!

Nas pontes, o sol chega vestido de arlequim,
espia da esquina e bate uma no botequim.
A lua aparece vestida de colombina,
ela requebra, ele se agarra à sua cintura,
beijam-se e vão desfilar no mar de Amaralina...

O Sibarita