sexta-feira, maio 10, 2013

MÃE STELLA DE OXÓSSI A IMORTAL

A MÃE DO ANO
 
Mãe Stella de Oxóssi
Eleita Imortal Academia de Letras da Bahia
cadeira 33 patrono Castro Alves.
 
 
FELIZ DIA DAS MÃES!
 
Caras(os) leitoras(es), neste domingo dia das mães nossas HOMENAGENS à todas as MÃES! E nada melhor do que falar da MÃE STELLA DE OXÓSSI. Espero que todos leiam, degustem tudo, independente de religiões ou dogmas. O Importante é saber quem é Mãe Stella de Oxóssi, negra, mãe de santo e cidadã do mundo! Aqueles que lerem tudo com certeza sairão  abastecido e enriquecido culturalmente.
 
Mãe Stella de Oxóssi é uma mulher à frente do seu tempo, Ialorixá do Terreiro Ilê Axé Opó Afonjá um dos mais famosos e frequentados da Bahia, Enfermeira formada pela UFBA -Universidade Federal da Bahia (trabalhou mais de trinta anos na profissão), escritora com seis livros lançados, Colunista do Jornal “A Tarde” (maior jornal do norte e nordeste brasileiro), Doutora  Honoris Causa por duas Universidades: UNEB - Universidade do Estado da Bahia e UFBA - Universidade Federal da Bahia, ganhadora do prêmio jornalístico Estadão, eleita há poucos dias como a mais nova Imortal da Academia de Letras da Bahia para ocupar a cadeira de número 33, patrono, Castro Alves, também detém diversos títulos conquistados aqui e fora do Brasil, é uma cidadã do mundo.
 
Eu, nascido em Salvador/Bahia e criado em meio ao Candomblé, (Na Bahia é assim, o sincretismo religioso nos leva também aos terreiros de Candomblés, como já disse magistralmente Gilberto Gil  “Toda(o) menina(o) baiana(o) tem um Santo que Deus dá”.) embora, eu seja Espírita Kardecista de longos anos respeito e louvo o povo de Santo, mesmo porque a nossa matriz está na África.
 
Okê arô!
Saravá Mãe Stella! 
O Sibarita
 
 
 
Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxossi, quinta Iyalorixá de um dos três terreiros de Candomblé mais antigos do Brasil, tornou-se bastante conhecida por sua visão ao mesmo tempo tradicional e moderna sobre esta religião iniciática. Ela traduz no seu jeito de ser a noção de equilíbrio tão estimulada por todos os segmentos religiosos: sua fisionomia séria, até mesmo “sisuda”, complementa o porte majestoso característico das grandes mães, emoldura o seu jeito leve de ver a vida que está totalmente de acordo com sua natureza jovial e alegre. Afinal, ela é Odé Kayodé - o Caçador chegou trazendo Alegrias.
 
A essência divina de Mãe Stella é a de um caçador. Silenciosamente e pacientemente ela caça na floresta da vida o que é necessário para manter a religião que lhe foi confiada sem permitir que a essência dela seja perdida ou até mesmo desvirtuada. Tudo isso sem deixar de acompanhar as permanentes, intensas e profundas mudanças que vem acontecendo no mundo.

 
A religião dos Orixás, conhecida no Brasil como Candomblé, tem uma origem muito antiga. A transmissão do conhecimento através da tradição oral sempre foi e continua sendo o melhor mecanismo da transmissão não apenas de conhecimento, mas também de axé (a força espiritual que os velhos sacerdotes transmitem para os mais novos). Entretanto, a aquisição da escrita é um grande ganho da humanidade que não pode e não deve nunca ser negada. Apesar de Mãe Stella dizer e vivenciar sabiamente a frase meu tempo é agora, sua visão vanguardista não deixou de enxergar a necessidade de usar essas duas formas de transmissão do conhecimento: a oral e a escrita. Um dia Mãe Stella disse: “O que não se registra o tempo leva”. Desse dia em diante, ela começou a escrever livros. E não parou mais. São seis os livros já escritos e editados:
  
- E daí aconteceu o encanto (Edição esgotada).
- Meu Tempo é Agora - livro com tema específico que é bastante procurado por seguidores ou interessados pela Religião dos Orixás.
- Oxossi, o Caçador de Alegrias – livro esclarecedor sobre a divindade yorubá que tem como função ser o provedor da família.
- Owé / Provérbios – ter este livro, pequeno em tamanho porém grande em sabedoria, é como estar acompanhado de grandes mestres a orientar o caminhar pela vida, de modo que cada um possa cumprir seu destino, da maneira mais amena possível. Ele é o presente ideal para ser oferecido a quem se deseja uma feliz travessia na jornada terrestre.
- Epé Laiyé – livro infanto-juvenil, com belíssimas fotografias, que estimula a juventude a cuidar do meio ambiente.
- Opinião – coletânea de artigos sobre os mais diferenciados temas da vida cotidiana, onde a beleza das gravuras enriquece a simplicidade profunda dos textos.
Sempre com o espírito moderno e visando um melhor entendimento da religião que professa, Mãe Stella não se negou ao pedido de seus filhos quando estes lhe propuseram colocar seus livros em um site para que pudessem ser adquiridos por pessoas que não tem a oportunidade de estar na Bahia e vir ao Ilê Axé Opô Afonjá. Foram estas as palavras de Mãe Stella: “Usar a tecnologia moderna para ampliar o conhecimento e, consequentemente, diminuir qualquer tipo de preconceito é sempre bom. Mas nunca mais me peçam para comprar uma máquina de cortar quiabos, pois este ato é fundamental para exercitar uma atitude que é indispensável para um sacerdote – a concentração”.
 
A idade avançada de Mãe Stella, nascida em 02 de maio de 1925, não permite que suas pernas tenham a força de antes, mas os Orixás lhe deram a graça de manter uma mente em plena atividade. É assim que dois novos livros já estão completamente prontos para serem editados, e vários outros germinam em sua cabeça que foi abençoada pelos Orixás desde os seus quatorze anos de idade, quando foi iniciada.
 


 
Mãe Stella de Azevedo dos Santos, a Mãe Stella de Oxóssi, nasceu no dia 2 de maio de 1925, em Salvador, Bahia. É a quarta filha de Esmeraldo Antigno dos Santos e Thomázia de Azevedo Santos. Formada em enfermagem pela Escola de Enfermagem e Saúde Pública da Universidade Federal da Bahia, Stella exerceu a profissão durante trinta anos.
Foi iniciada no candomblé por Mãe Senhora, em setembro de 1939, quando tinha apenas catorze anos, recebendo o orukó (nome) de Odé Kayodê. Mãe Senhora foi a mãe religiosa de Mãe Stella e esta lhe acompanhou durante décadas, na terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, até 1967, ano da morte da Ialorixá. Ondina Valéria Pimentel (Mãezinha) assumiu, então, o Opô Afonjá e, um ano após sua morte, em 1976, Mãe Stella foi escolhida por Xangô e pelos búzios para ser a Ialorixá do terreiro de São Gonçalo do Retiro.
 
Mãe Stella viajou diversas vezes para a África, visando aprofundar os conhecimentos sobre a cultura iorubá (que é, basicamente, oral), e conseguiu transformá-la em uma herança escrita. Isto possibilitou uma maior divulgação dos cultos africanos e da religião dos orixás, em todo o país. Mãe Stella é colunista do jornal A Tarde e autora de livros como “Meu tempo é agora”, “Òsósi – O Caçador de Alegrias” e “Epé Laiyé- terra viva”. Em 2009, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Foi a primeira Ialorixá a escrever livros e artigos sobre sua religião.
 
No último dia 24 de abril, a Ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá passou a ocupar a cadeira de número 33 da Academia de Letras da Bahia, antes ocupada pelo historiador Ubiratan Castro, que morreu em janeiro.
Em 19 de março de 1976, foi escolhida para ser a quinta iyalorixá do Ilê Axé Opó Afonjá, conforme consta no livro de atas do conselho religioso do próprio terreiro, a seguir:
Transcrição da ata registrada no dia 19 de março de 1976 do livro de Atas do Conselho Religioso:
 
Aos dezenove dias do mês de março de 1976 (hum mil novecentos e setenta e seis), presentes 136 pessoas, todas com suas assinaturas gravadas no livro de Atas do Conselho Religioso deste Axé, às 10 horas e 45 minutos, no Barracão, eu, Fernando José Pacheco Vasquez, Secretário da Sociedade Civil (Obá Xorun), dirigi-me a todos os presentes, solicitando que se aproximassem da mesa onde seria realizado o jogo para a escolha da futura Iyalorixá, uma vez que antes do jogo ser iniciado, o professor Agenor Miranda, Babalaô, considerado o único Oluô no Brasil, filho espiritual da falecida Eugênia Anna dos Santos (Mãe Aninha), irmão da também falecida Ondina Valéria Pimentel, vindo do Rio de Janeiro exclusivamente para esta cerimônia, irá fazer uma dissertação do que acontecerá em seguida. Com a segurança que lhe é peculiar, e a franqueza de sempre, ele se dirigiu aos presentes nos seguintes termos: "Não estou aqui para ser agradável a quem quer que seja, sei que muitos dos presentes já fizeram sua escolha, porém eu estou aqui para cumprir a determinação de Xangô, e advirto a todos os filhos e filhas, Obás e Ogãs, e a todos vinculados a este Axé, que vontade de Xangô é Lei, é sagrada, e sua escolha, sobre quem quer que caia, terá de ser por todos acatada e respeitada, e a filha deste Axé que for por ele escolhida não deverá se deixar levar pelo coração, e deverá, sim, agir com justiça e sabedoria, promovendo a união de todos, e acima de tudo ter pulso forte para manter a hierarquia, doa em quem doer". A hierarquia, ele repetia que tinha de ser mantida acima de tudo. Sentou-se em seguida para dar início ao jogo. Ao seu lado direito estava sentada Eutrópia de Castro (Iyakêkêrê), aos eu lado esquerdo o Assobá Deoscóredes dos Santos, e em volta destes, representações do Engenho Velho, Gantois, Bate-Folha, e de diversas outras Casas da Bahia e do Rio de Janeiro, e ainda os membros do Conselho Religioso. O Professor Agenor Miranda segurou os búzios e concentrou-se. Todos os presentes conservaram um silêncio absoluto, atentos ao professor. Ele deu início à leitura, e falou EJIONILÊ, recolheu os búzios e, após uma pausa, jogou-os novamente e falou ODI, e novamente usados os búzios falou OXÉ, em seguida OSSÁ, após nova concentração usou novamente os búzios e falou EJILASEBORÁ, apresentando Oxossi, em seguida falou ÔFUN trazendo ORUKÓ de ODÉ KAIODÊ; novamente o professor usou os búzios e voltaram OSSÁ e OXÊ, os Odus de Odé Kayodê, filha do Axé a quem Xangô escolhia e determinava ser a nova Iyalorixá. O professor Agenor se dirigiu aos presentes, dizendo que se ali, naquele momento, houvesse algum Oluô, ou pessoa que sabe ler nos búzios, que se aproximasse e viesse ler e constatar o que ali estava determinado por Xangô. Em seguida, como é de praxe, o Assobá partiu um OROBÔ e pediu a Xangô confirmação do que disseram os búzios, e por duas vezes seguidas a palavra foi confirmada com ALAFIÁ. O Professor Agenor procurou saber quem atendia pelo nome de Odé Kayodê, e Stela Azevedo se apresentou e foi notificada pelo Professor Agenor ser ela a escolhida por Xangô para dirigir os destinos do Axé. Dirigindo-se a mim, solicitou que eu notificasse em voz alta o que Xangô acabara de determinar. Comuniquei aos presentes que, por determinação e vontade de Xangô, fora escolhida a filha do Axé de nome Stela Azevedo - Odé Kayodê - Kolabá, para ser a Iyalorixá a partir daquele instante. Todos os presentes acolheram minhas palavras de pé e com uma salva de palmas. Em seguida, um a um, os filhos deste Axé de Opô Afonjá, os representantes das diversas casas ali presentes, os visitantes, todos, enfim, foram cumprimentar a nova Iyalaxé, que se curvava à vontade de Xangô, e como mais nada atinente ao assunto tivesse de ser registrado, encerrei a ata feita no livro de Atas do Conselho Religioso, assinando a mesma, em Salvador, 19 de março de 1976, eu, Fernando José Pacheco Vasquez, Secretário (Obá Xorun), o Presidente Carybé, senhor Hector Bernabó (Otun Obá Onasokun) e os diretores presentes, Mario M. Bastos, Deoscóredes Maximiliano dos Santos.
Quando Mãe Stella foi escolhida iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, Dona Milta explicou que não conseguia aceitar o peso da responsabilidade que caía sobre os ombros da irmã:
"Corri para dona Menininha do Gantois, implorando que ela desse um jeito, mas ela, Mãe Menininha, disse: 'Isso não é comigo, isso é com os orixás, eles sabem que Stella tem força, eles a conhecem. Vi que era um poder maior e lembrei de Camões, 'Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta...' Vi que não podia fazer nada."
Em 1981, Mãe Stella visitou templos e casas de orixás em Oshogbo na Nigéria. Ela cumprimentava as pessoas, era recebida por todos e, uma vez, ao entoar um canto para Oxum, à sua voz incorporaram-se outras. Houve total entendimento e todos se emocionaram. O mesmo se deu nas cidades de Ile-Ifé e Ede. Apesar das barreiras linguísticas, fez amigos e foi homenageada. Em 1983 o professor Wande Abimbola, à época reitor da Universidade de Ile-Ifé, fez questão de realizar em Salvador, na Bahia, a II Conferência da Tradição dos Orixá e Cultura, porque sabia haver em Salvador raízes profundas da cultura yoruba.
O primeiro pronunciamento público de Mãe Stella foi na II Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura, de 17 a 23 de Julho de 1983, em Salvador, quando lançou ideias originais sobre o sincretismo. Ela também participou da III Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura, em 1986, em Nova Iorque, Estados Unidos.
Em 1987, Mãe Stella integrou a comitiva organizada por Pierre Verger para a comemoração da Semana Brasileira na República do Benin, na África. Sua presença mereceu destaque e ela foi recebida com honras de líder religiosa.
Em 1999, Mãe Stella conseguiu o tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão ligado ao Ministério da Cultura.
Prêmios
 

4 comentários:

Olhos de mel disse...

Oie Siba; felizmente, foi reconhecida. Muitos nunca passaram do anonimato.
Bela homenagem! Bom fim de semana! Beijos

Paula Barros disse...

Você contribui divulgando a cultura e as pessoas.
beijo

Cadinho RoCo disse...

Belíssima homenagem, Que mulher expressiva esta que com tanta seriedade e determinação age em favor do enriquecimento cultural disponível a todos nós. Linda publicação, parabéns.
Cadinho RoCo

Claudinha ੴ disse...

A benção Mãe Stella, reconhecimento e graças!