terça-feira, julho 02, 2013

INDEPENDÊNCIA DA BAHIA o SOLDADO SOLEDADE e os ENCOURADOS DE PEDRÃO.

Caros leitores, no dois de julho a Bahia e o Brasil comemoram de fato e de direito a independência.  

Na Bahia, esta data é reverenciada aos seus heróis que deram a vida por um país livre, independente dos portugueses.

Todos os anos falamos destes heróis! Hoje, saberão do Soldado Soledade e do Frey Brayner líder dos Encourados de Pedrão que contribuíram  para que há 02 de julho de 1823 as tropas de Madeira de Melo fossem expulsas da Bahia e o Brasil se tornasse uma nação livre e soberana para sempre.

É muito bom saber da história do nosso Brasil.

 
A Revista de História da Biblioteca Nacional, a mais importante publicação brasileira do gênero, traz na capa da edição deste mês de setembro uma cena da história do Brasil que aconteceu em Cachoeira. Trata-se de um detalhe do quadro Primeiro Passo para a Independência do Brasil, do pintor fluminense Antônio Parreiras (1860-1937). Na cena, o soldado Manoel Soledade, que tocava tambor no Regimento de Milícias, é ferido por estilhaços e cai ensanguentado no chão da atual Praça da Aclamação, no dia 25 de junho de 1822. Parreira, o maior pintor histórico do Brasil, esteve em Cachoeira em 1928 para recolher impressões e elementos que o ajudassem a elaborar o quadro, encomendo pelo governador Vital Soares. A obra tornou-se uma espécie de ícone das lutas que se travaram no Recôncavo Baiano na guerra pela Independência do Brasil. (http://vapordecachoeira.blogspot.com.br/2009/09/tambor-soledade-na-capa-da-revista-de.html
Clique: conheça mais A IMAGEM DA CAPA
 O soldado Soledade agonizando com o seu tambor.


Soldado Soledade - Tambor Soledade
 
O soldado Soledade participou da luta contra os portugueses. Tinha a função de passar ordens à tropa brasileira, por meio dos toques do tambor, no município de Cachoeira-Ba. Daí o apelido Tambor Soledade.
 
Enquanto as autoridades locais se refugiavam no prédio da Câmara Municipal, Soledade foi atingido por uma canhoneira portuguesa e caiu agonizando, o que culminou em sua morte. Essa cena é retratada em uma obra de autoria do pintor Antônio Parreiras. O quadro, datado oficialmente em 1931, foi pintado em Cachoeira, no mesmo local do acontecimento, com o objetivo de reconstituir o evento com a máxima fidelidade. A obra encontra-se afixada em um posto de gasolina, próximo à extinta estação de trem, defronte à ponte D. Pedro II, que liga Cachoeira a São Felix.
 
Real ou mítico, o Tambor Soledade também é um dos personagens heróis da Independência do Brasil na Bahia.
 

ENCOURADOS DE PEDRÃO
 

PEDRÃO NA GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA

Em 12 de Outubro de 1832, Frei José Maria do Sacramento Brayner dirigiu um regimento ao Conselho Interino da Cachoeira para oferecer os seus serviços à Pátria, daí passou a residir em Pedrão.

“Frei Brayner” confessa no seu requerimento dirigido à Junta da Cachoeira que, ouvindo ler-se à tropa de Cavalaria um ofício do Coronel Bento Lopes, no qual convocava não só a tropa da cavalaria como também o povo daquele lugar para aclamar na Vila de Santo Amacio ao Sr. Pedro de Alcântara, Príncipe Regente e Defensor Perpetuo do Brasil, ele imediatamente se oferecera com o maior alvoroço de alegria, mas o Capital Miguel Mendes, a quem foi mandada aquela comissão, não quis que o suplicante marchasse, pelo estado atual em estava à moléstia, pelo que lhe rogou fizesse ver ao dito coronel os seus ardentes desejos, protestado que apenas melhorasse e estivesse em sua capacidade, o que assim praticou apresentando-se e oferecendo-se às autoridades constituídas da Vila de Santo Amaro, e ao mesmo Coronel na vila de são Francisco, fazendo-lhes ver o seu amor, patriotismo e adesão à santa causa, e agora também o faz a este Ilustríssimo e Excelentíssimo conselho do Governo Interino desta Província, e não só o suplicante, como também voluntariamente unidos a ele 39 indivíduos que formam uma guerrilha chamadas Voluntários de Pedrão.
 
Aos 22 de outubro de 1822, o Conselho interino da Cachoeira tomou conhecimento desta grande iniciativa e comunicou-lhe, imediatamente, o seu contentamento diante da grande prova de patriotismo, porém não deferiu a petição que almejava a formação da guerrilha, uma vez que estavam aguardando, em breve a chegada do Exmº. General Labatut, a quem hierarquicamente deveriam obedecer as decisões sobre formações de novos corpos armados, ficando o Conselho na lembrança de empregar meios para tal fim.
 
Em, 04 de novembro, do mesmo ano, o Conselho Interino expediu uma circular ordenando a formação da guerrilha conforme o plano proposto e marchasse imediatamente para a Vila da Cachoeira à fim de receber as ultimas ordens e os destinos à seguirem, e que fossem armados de espingardas.

Em 29 de novembro, por convocação do General Labatut, através de oficio, a Companhia do Frei Brayner se dirigiu para o Quartel General, localizado no Engenho Novo, no Recôncavo.
 
Em, 05 de dezembro, o Conselho Imperial dirigiu ao Frei Brayner, novo oficio que declarava desejar fazer marchas os Voluntários de Pedrão para o Quartel General e se integrar como um corpo de tropas, desejo esse, que o Frei Brayner, sentiu como se fosse uma exigência, uma vez que o mesmo ordenava que se aprontasse de imediato para marchar logo no outro dia, impreterivelmente, levado os Voluntários da Guerrilha, juntamente com os Voluntários da Guerrilha da Comarca do Sul, e lá se apresentassem ao General a fim de receberem seus destinos, inclusive levando suas fardas (roupas de couro) e as fardas que ainda estavam por fazer para concluírem as suas confecções no Quartel General, sem precisar levar armamentos de Clavina para a inteligente execução.
 
Os Voluntários de Pedrão, sob o comando de Frei Brayner, adotaram como fardas as vestes de couro, como seguinte regulamento: O seu uniforme em marcha era: Chapéu de Couro, com uma chapa de latão oval, e ao centro desta a letra “P”, e acima da letra uma coroa real.

A túnica era o gibão; algibeiras longas; calças de algodão branco ou couro; surrão ou saco às costas; clavinas, espingardas ou bacamartes, espadas ou facas grandes e pequenas; à cavalo ou à pé, calçados ou descalços, segundo as circunstancias o exigirem.
 
O uniforme fora de marcha: Opcionalmente, chapéu branco fabricado artesanalmente, com a mesma chapa; Fardeta de algodão de qualquer fazenda de cor azul-escuro colete e calças de qualquer tecido de algodão branco.
 
Os Voluntários, também denominados ENCOURADOS DE PEDRÃO, foram alistados 39 (trinta e nove) homens formando 40 (quarenta) com o seu Comandante.
 
Todos, homens do campo, sendo dezenove casados e o restante solteiros, que abandonaram seus lares e famílias e seguiram para o campo de luta sob o comando do Frei José Brayner.
 
 
FREI JOSÉ MARIA DO SACRAMENTO BRAYNER
 
Pernambucano, nascido no ano de 1778 , filho de português com uma  pernambucana, Padre José Maria do Sacramento Brayner entrou para a vida religiosa ainda em Pernambuco no Convento dos Carmelitas Calçados muito jovem. Em 1817, em meio a Revolução Pernambucana, adere à mesma, sendo que, em 26 de maio de referido ano, após a derrota dos revolucionários, é preso e julgado. É levado a Salvador, chegando a cidade em junho do mesmo ano onde permaneceria preso por 4 anos, sendo um dos seus colegas de cárcere o Frei Caneca.
 




Depois de lutar em prol da independência, ocupou o lugar de Capelão da Relação Civil e foi agraciado com as comendas de Cristo e do Cruzeiro. Já em 1833, morando na Ilha de Itaparica, exatamente em 17 de Agosto é proclamado Juiz de Paz do 1º distrito daquela ilha, e vigário em 1835.

A 16 de Novembro de 1850, aos 72 anos de idade, morre o então Rev. Sr. Vigário José Maria do Sacramento Brayner, sendo sepultado na Matriz do Santíssimo Sacramento de Itaparica.
 
Igreja de Pedrão
 
Pedrão, cidade do recôncavo baiano que participou ativamente ao lado de outras cidades como Cachoeira, Santo Amaro da Purificação, São Feliz e Salvador no combate aos português pela indepêedência total do Brasil. (http://pedraoba.webnode.com.br/)
 
O Sibarita


2 comentários:

Olhos de mel disse...

Siba; um pouco da nossa história. Eu gostaria muito que hoje, as pessoas tivessem o mesmo patriotismo, a mesma coragem e objetividade para lutar contra tudo que vem acontecendo. Queria que essa história servisse de exemplo a essa geração. Passamos um período como se estivéssemos, adormecidos. Acordamos? Creio que ainda não, totalmente.
Belo post, Siba.
Como foi o feriadão?
Beijos

Olhos de mel disse...

Ô mocinho, seu feriado está longo demais, não? Saudade de suas poesias maravilhosas, viu?
Bom fim de semana! Beijos